05 de junho, 2008 - 07h48 GMT (04h48 Brasília)
Bruno Garcez
Da BBC Brasil em Washignton
A grande incógnita da atual disputa democrata é se Barack Obama e Hillary Clinton irão ou não formar uma chapa.
Mas essa possibilidade carrega uma outra grande indagação: se Obama ganha ou perde ao convidar a rival a ser sua candidata a vice-presidente.
Tanto os que defendem a proposta veemeentemente quanto os que são radicalmente contrários a ela têm argumentos fortes.
Os correligionários de Hillary acreditam que uma chapa unindo os dois seria imbatível.
Ela teria o potencial de unir os jovens e os eleitores de nível universitário (do lado de Obama) e os votantes brancos, da classe trabalhadora e com nível médio de escolaridade; os idosos e os hispânicos (do lado de Hillary).
Os opositores da idéia dizem que ter Hillary como vice não é uma garantia de que os eleitores que votaram nela nas primárias irão necessariamente migrar para o lado de Obama na eleição geral.
Durante as prévias eleitorais, muitos eleitores de Hillary disseram não ter a intenção de votar em Obama, caso ele fosse o indicado. Tê-la como vice, argumentam os adeptos da chapa conjunta, poderia convencê-los a mudar de idéia.
Mas os críticos lançam mão de um outro argumento, o de que seria uma contradição que o ''candidato da mudança'' tivesse como sua número 2 uma figura associada ao passado, uma ex-primeira-dama e representante de uma dinastia política que controla (ou controlava) o Partido Democrata há vários anos.
Outra crítica costumeira é a de que ao trazer Hillary para a Casa Branca, Obama estaria trazendo uma potencial candidata, que teria uma agenda própria, que seria até capaz de miná-lo a fim de alcançar o seu objetivo.
Além disso, ela estaria trazendo também o ex-presidente Bill Clinton, que poucos acreditam teria um papel discresto ou ficaria alheio ao poder caso a sua mulher retornasse à Casa Branca.
Os vários escândalos envolvendo o casal também são motivo de temor. A oposição republicana poderia ressucitar episódios antigos e prejudicar a candidatura de Obama.
Mas os defensores da idéia alegam que os extremos no currículo de Hillary e Obama seria justamente uam das forças da ''chapa dos sonhos''.
Obama poderia compensar a sua escassa experiência em temas de política externa através de uma aliada com mais tempo de Senado, que integra o Comitê de Relações Internacionais do Senado, já tendo até viajado ao Iraque ao lado do rival republicano John McCain.
O argumento que prevalecer nos próximos dias poderá ser decisivo para o sucesso ou fracasso da candidatura democrata em novembro.