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02 de junho, 2008 - 09h07 GMT (06h07 Brasília)

Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

Mais dois Estados optam por autonomia na Bolívia

Resultados preliminares indicam que mais de 80% dos eleitores votaram, no domingo, pelo “sim” à autonomia dos Departamentos (Estados) de Beni e de Pando, na Bolívia.

De acordo com os primeiros números, divulgados pelo jornal El Deber, 88,6% dos eleitores de Beni que votaram no referendo optaram pelo “sim” e 11,4% pelo "não”.

Já em Pando, 85% votaram pela autonomia, enquanto 15% opinaram que o Departamento deve continuar atrelado ao governo do presidente Evo Morales.

Uma pesquisa realizada pela rede de televisão ATP, no entanto, indicou que o índice de abstenção nos referendos foi alto nos dois Departamentos – 34,5% em Beni e 46,5% em Pando.

De acordo com a imprensa boliviana, o resultado oficial só deverá ser divulgado em cinco dias.

As duas votações ocorreram menos de um mês depois de um referendo semelhante realizado em Santa Cruz, onde 84,27% dos eleitores votaram a favor da autonomia do Departamento.

No próximo dia 22, será a vez de os eleitores de Tarija irem às urnas.

Constituição

Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija são governados pela oposição ao governo de Morales e defendem autonomia política, administrativa e financeira em relação ao governo central.

Na prática, entre outras iniciativas, os recursos gerados por esses Departamentos, ricos em gás e outros recursos naturais, deixariam de ser enviados em sua totalidade para o governo central, em La Paz, de onde hoje são administrados e distribuídos, e passariam a ser administrados pela gestão departamental.

Para Morales, os referendos são "ilegais". Num discurso no domingo, o presidente disse que “existem grupos que não querem a justiça social na Bolívia”.

Logo após o referendo de Santa Cruz, Morales convocou, para o dia 10 de agosto, um referendo popular que vai decidir se ele e os governadores de 8 dos 9 departamentos do país devem continuar nos cargos ou não.

Se a maioria da população optar pela permanência de seu governo, o presidente poderá convocar uma nova votação sobre uma reforma da Constituição, que aguarda aprovação desde o ano passado.

Entre os principais pontos da nova Constituição está uma ampla reforma agrária que beneficiaria a população indígena.

Os prefeitos dos Departamentos que reivindicam a autonomia, argumentam que a nova Constituição beneficiaria os indígenas injustamente e significaria mais poderes para Morales, que poderia concorrer a um novo mandato de cinco anos.