29 de maio, 2008 - 18h45 GMT (15h45 Brasília)
A agência de avaliação de risco americana Fitch concedeu nesta quinta-feira o grau de investimento ao Brasil.
A Fitch passou a avaliação do país de BB+ para BBB-, seguindo movimento que já tinha sido tomado por outras agências, como a canadense DBRS, a também americana Standard & Poor's e as japonesas JCR e R&I.
“Depois de completarmos nossa revisão sobre o grau de crédito do Brasil, o que começou em abril com uma visita ao Brasil de uma equipe, nós concluímos que as métricas de crédito brasileiras melhoraram o suficiente para garantir o grau de investimento”, disse Shelly Shetty, diretora sênior da empresa para a América Latina.
Em um comunicado à imprensa, a empresa elabora vários pontos que levaram suas equipes a decidirem pela mudança de avaliação.
De acordo com a agência, “a elevação da avaliação do país reflete a melhora dramática da situação financeira nas contas externas e no setor público, que reduziu a vulnerabilidade do Brasil a choques externos e de câmbio e enraizou a estabilidade macroeconômica e ampliou a perspectiva de crescimento no médio prazo”.
Diversidade
Para a Fitch, a política econômica e o compromisso do governo com a estabilidade e com o combate à inflação desfizeram preocupações sobre a sustentabilidade fiscal do país.
“A diversidade e o alto valor agregado” gerado pela economia brasileira também foram apontados como motivos para a elevação para o grau de investimento.
Nas suas justificativas, a agência diz que uma série de números e resultados recentes da economia nacional se equiparam às médias de outros países com avaliações semelhante.
A renda per capita (da ordem de US$ 7 mil anuais, semelhante a de outros países com a média BBB) e o crescimento da economia (de 4,5%, também próximo à média de 5% dos países BBB) foram dois pontos citados como exemplos de dados que habilitam o país a ter a avaliação concedida.
O documento da Fitch, no entanto, ainda aponta o que considera alguns problemas renitentes da economia nacional.
Na opinião de seus analistas, o crescimento do país continua sendo atrapalhado pela “debilidade estrutural nas finanças públicas, o peso da dívida do governo (…), uma estrutura de dívida interna desfavorável, apesar de melhorando, e um ritmo glacial de reformas”.
A importância da nova avaliação se deve, principalmente, ao fato de que muitos fundos de investimentos institucionais só podem investir em países com o grau de investimento.
Normalmente é preciso que duas agências importantes mundialmente façam a mesma avaliação para que os fundos se vejam liberados para os investimentos.