19 de maio, 2008 - 00h12 GMT (21h12 Brasília)
Pelo menos 12 pessoas foram mortas na cidade sul-africana de Joanesburgo desde sexta-feira em uma onda de violência contra imigrantes, segundo informações da polícia.
Policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha numa tentativa de impedir que gangues de jovens armados atacassem estrangeiros e destruíssem suas propriedades.
Algumas das vítimas foram queimadas e outras espancadas até a morte. Durante a noite, mais de 50 pessoas foram levadas para hospitais com ferimentos a bala e a faca.
Uma igreja onde cerca de mil imigrantes do Zimbábue procuravam refúgio foi atacada.
"Nós consideramos que a situação está tão grave que a polícia não tem mais controle sobre o que está acontecendo", disse o bispo da igreja atacada, Paul Veryn.
Muitos estrangeiros se dirigiram a centrais de polícia, levando todos os pertences que podiam carregar, em busca de proteção.
Uma mulher do Zimbábue disse à BBC que preferia voltar para seu país a perder seus dois filhos para as gangues.
Problemas sociais
A onda de violência começou há cerca de uma semana no distrito de Alexandra. Imigrantes vindos de países vizinhos foram cercados por homens levando armas e barras de ferro e gritando "expulsem os estrangeiros".
Pessoas do Zimbábue, Moçambique e Malauí fugiram para bairros próximos.
Casas foram queimadas e lojas, saqueadas, e a violência se espalhou para outras áreas da cidade.
Desde o fim do Apartheid, o sistema de segregação racial que vigorava na África do Sul, milhões de imigrantes se dirigiram ao país em busca de trabalho e proteção.
Mas eles acabaram sendo considerados responsáveis por muitos dos problemas sociais da África do Sul, como a alta taxa de desemprego, a falta de moradia e um dos níveis de criminalidade mais altos do mundo.
A Cruz Vermelha está agora oferecendo comida e cobertores a centenas de imigrantes que foram afugentados de suas casas.
O presidente Thabo Mbeki disse que vai organizar um painel de especialistas para investigar as causas da violência, enquanto o líder do partido governista, Jacob Zuma, condenou os ataques.
"Não podemos permitir que a África do Sul fique conhecida por xenofobia", disse ele.