07 de maio, 2008 - 12h37 GMT (09h37 Brasília)
Marina Wentzel
De Hong Kong para a BBC Brasil
A China e o Japão assinaram nesta quarta-feira em Tóquio um acordo histórico para estabelecer um "novo ponto de começo" da relação diplomática entre os dois países.
O acordo, um mapa para o fortalecimento dos laços bilaterais, prevê pelo menos um encontro anual entre os líderes de ambos os lados.
O entendimento ocorre após anos de turbulência na relação da China com o Japão.
Entre 2001 e 2006 Pequim suspendeu o diálogo diplomático de alto nível para protestar contra a atitude do então primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que visitou o santuário de Yazukuni.
O santuário homenageia militares do Exército japonês que participaram da violenta ocupação da China durante a Segunda Guerra Mundial.
Acordo
O documento é o quarto desse tipo assinado desde 1972 e foi anunciado no primeiro dia da viagem oficial que o presidente chinês Hu Jintao faz ao pais vizinho.
A visita de cinco dias está sendo considerada um marco na retomada da amizade entre os dois paises - há dez anos um presidente chinês não visitava o Japão.
"As duas nações concordam que Japão e China compartilham grande responsabilidade para a paz mundial e o desenvolvimento no século 21", afirma a declaração conjunta divulgada nesta quarta-feira.
"Lideres dos dois Estados vão desenvolver meios para intercâmbios regulares, a princípio com um líder visitando o outro a cada ano", consta no texto.
Além de assinarem o acordo, os dois líderes asiáticos também discutiram assuntos delicados, como a questão do Tibete e a disputa pelos campos de gás no Mar da China Oriental.
Tibete
O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, disse que "dá alto valor" à decisão do presidente Hu Jintao de conduzir conversas com representantes do líder espiritual budista tibetano Dalai Lama, para aliviar a tensão sobre a região autônoma localizada ao pé do Himalaia.
Hu Jintao por sua vez afirmou que o Dalai Lama precisa parar de "agir para separar" a China e "incitar atos de violência".
A liderança chinesa já acusou anteriormente o Dalai Lama de ter intenções separatistas e de ter orquestrado os protestos que eclodiram em meados de março.
O líder espiritual nega que esteja em busca de independência para o Tibete.
Gás
Fukuda disse que Pequim e Tóquio vão resolver o "mais breve possível" a disputa territorial que têm sobre campos de gás localizados nas profundezas do Mar da China Oriental.
O presidente chinês Hu Jintao reforçou a promessa de solução ao afirmar que os países estão "começando a ver o grande contexto, para resolver essa questão" e que ambos conduziram "discussões detalhadas e se fez progresso".
Mas apesar das afirmativas, o comunicado conjunto contendo as intenções de ambos os lados não mencionou nenhum acordo imediato sobre a delimitação e distribuição dos campos de gás entre China e Japão.
Os gigantes asiáticos são grandes importadores de energia e o acesso aos recursos é uma questão estratégica e delicada.
Cooperação econômica
Do ponto de vista pragmático, Tóquio e Pequim têm grande interesse em melhorar o relacionamento para fortalecer ainda mais os laços comerciais.
A China deseja atrair investimento do Japão na área de pesquisa e desenvolvimento, enquanto o Japão espera vender mais aos chineses, tendo em vista a queda no consumo na economia norte-americana.
Os chineses já são os principais parceiros comerciais do Japão, à frente dos Estados Unidos. No ano passado as trocas aumentaram 12%, totalizando US$236,6 bilhões.