19 de abril, 2008 - 22h12 GMT (19h12 Brasília)
O ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan pediu aos governos africanos que façam mais para resolver a crise política do Zimbábue.
Mais de 20 dias após o povo do Zimbábue ter ido às urnas para escolher o novo presidente do país, o resultado da eleição ainda não foi divulgado.
Annan disse que a situação no Zimbábue é perigosa e perguntou o que os líderes africanos estão fazendo para resolver o problema.
"É uma situação bastante perigosa", disse o ex-secretário. "É uma crise séria com impacto fora do Zimbábue."
Navio chinês
Os comentários de Annan foram feitos no Quênia, onde o ex-secretário ajudou a resolver uma crise eleitoral.
"Acabamos de passar por uma crise aqui (no Quênia), e nós conseguimos resolver, e eu preciso dizer que o crédito vai para o povo do Quênia, para a União Africana – foi uma solução africana para um problema africano."
A crise começou após as eleições presidenciais do dia 29 de março.
A oposição ao governo, liderada pelo MDC do líder Morgan Tsvangirai, diz ter vencido as eleições presidenciais, com 50,3% dos votos. Esse percentual daria a vitória a Tsvangirai ainda no primeiro turno. Ele deixou o país, dizendo temer por sua vida.
Já o partido governista Zanu-PF, do presidente Robert Mugabe, pede uma recontagem dos votos. Mugabe está no poder desde 1980, ano da independência do Zimbábue.
Nas eleições parlamentares, a oposição obteve a maioria, derrotando o partido de Mugabe pela primeira vez.
Neste sábado, a comissão eleitoral do Zimbábue começou a recontagem de votos em 23 dos 210 distritos eleitorais. A recontagem pode reverter a maioria obtida pela oposição no Parlamento.
A oposição avisou que aceitaria disputar um segundo turno, se fossem garantidas as condições para uma eleição democrática. No entanto, o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, disse que o partido não aceita nenhuma recontagem que modifique a composição do Parlamento.
Na África do Sul, um navio chinês carregado com armas destinadas para o Zimbábue teve de deixar o porto de Durban.
Um tribunal sul-africano negou permissão para que as armas fossem descarregadas e levadas até o Zimbábue.
O navio An Yue Juang estaria carregando três milhões de cartuchos de munição, 1,5 mil granadas e 2,5 mil morteiros.