16 de abril, 2008 - 15h15 GMT (12h15 Brasília)
O partido de oposição do Zimbábue Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) disse nesta quarta-feira que mais de 50 pessoas da sigla foram detidas pela policia do país.
A polícia acusa o MDC de tentar incitar violência com a convocação de uma greve em protesto pelo atraso do anúncio do resultado das eleições presidenciais.
A polícia anunciou que 30 pessoas do MDC foram detidas por obstrução e intimidação, já que eles estariam fechando estradas, obstruindo o tráfego, e intimidando pessoas que seguiam para o trabalho.
Segundo correspondentes, a greve teve pouco impacto, já que 80% da população está desempregada.
O secretário-geral do MDC, Tendai Biti, disse à BBC na terça-feira que dois ativistas do movimento foram mortos e 200 foram hospitalizados após serem agredidos por milícias.
Discussão na ONU
A crise no Zimbábue provavelmente será discutida no Conselho de Segurança das Nações Unidas, nesta quarta-feira, na sessão que contará com a presença de alguns líderes africanos.
O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, convocou um encontro especial para discutir como as Nações Unidas podem trabalhar com a União Africana para trazer a paz para os conflitos na África, da Somália a região de Darfur.
O Zimbábue não está na agenda oficialmente, mas, de acordo com a correspondente da BBC na sede da ONU Laura Trevelyan, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, juntamente com oficiais e ministros dos Estados Unidos e França, esperam discutir a crise no país.
Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, pediu mais uma vez a rápida liberação dos resultados da eleição do dia 29 de março. A expectativa é de que ativistas protestem, pedindo ao presidente Mbeki que use sua influência junto ao presidente do Zimbábue, Robert Mugabe.
A comissão eleitoral disse que não poderá liberar os resultados até que a recontagem dos votos em algumas áreas seja realizada no final de semana.
Sondagens independentes sugerem que o líder do MDC Morgan Tsvangirai venceu, mas com menos de 50% dos votos, o que significa
que ele teria de disputar um segundo turno.