08 de abril, 2008 - 10h13 GMT (07h13 Brasília)
Pelo menos sete funcionários da Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, na sigla em inglês) foram presos por supostamente fraudar a contagem dos votos e tentar colocar o atual presidente do país, Robert Mugabe, em desvantagem.
Segundo a polícia, os funcionários, que teriam desviado quase 5 mil votos de Mugabe, foram presos em três diferentes áreas do país. Eles estão sendo acusados de fraude e abuso de autoridade.
Dez dias após a realização da votação, os resultados da eleição presidencial ainda não foram divulgados. Na eleição parlamentar, o partido de Mugabe, Zanu-PF, perdeu a tradicional maioria que mantinha desde os anos 1980.
O correspondente da BBC no sul da África, Peter Biles, diz que até agora não se apresentou uma justificativa convincente para o atraso.
A Justiça anunciou que decidirá "em regime de urgência" se acata ou não um pedido do partido de oposição, MDC, para que os números sejam divulgados imediatamente.
Corrupção eleitoral
O MDC (sigla para Movement for Democratic Change), do candidato opositor mais forte, Morgan Tsvangirai, alega ter ganhado as eleições, enquanto o Zanu-PF, de Mugabe, quer a recontagem dos votos.
A sigla da situação acusa a oposição de tentar corromper autoridades eleitorais.
"Isto é bobagem, um ato desesperado de um regime jurássico que perdeu a eleição e tenta usar todos os truques para reverter um resultado que eles nem sequer anunciaram", afirmou à BBC o secretário-geral do MDC, Tendai Biti.
"Isto não vai desviar as atenções do fato de que eles perderam as eleições."
Nas eleições parlamentares, os partidos de oposição obtiveram 109 assentos, enquanto o Zanu-PF conseguiu apenas 97. Foi a primeira vez que o partido fracassou em obter a maioria desde a independência do Zimbábue da Grã-Bretanha, em 1980.
Mais cedo, Mugabe conclamou a população negra do Zimbábue a resistir às tentativas de fazendeiros brancos de retomar terras confiscadas pelo governo. Segundo o jornal estatal Herald-Sun, Mugabe pediu aos negros "não retroceder na batalha da terra".
Na segunda-feira, o jornal publicou um artigo de Mugabe, em que o presidente escreveu: "A terra deve permanecer em nossas mãos. A terra é nossa, não devemos permitir que volte para a mão dos brancos", afirmou Mugabe.
No ano 2000, havia 4 mil fazendeiros brancos cultivando um bom quinhão da melhor terra do Zimbábue. Hoje esse número caiu para 300, como conseqüência de uma campanha oficial que incluiu confiscos violentos e redistribuição de terras a negros.