02 de abril, 2008 - 19h33 GMT (16h33 Brasília)
Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil
O governo francês confirmou na noite desta quarta-feira (horário local) que uma missão humanitária para dar assistência médica à refém Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) há seis anos, já está a caminho da Colômbia.
O comunicado sucinto divulgado pela Presidência francesa, que não dá maiores detalhes sobre a operação por razões de segurança, diz apenas que a missão "realizada pela França em conjunto com a Espanha e a Suíça já começou e está em contato com as autoridades locais".
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, declarou que vai suspender as operações militares contra as Farc para facilitar os trabalhos da missão francesa.
O início da missão humanitária foi decidido em uma reunião em Paris na manhã desta quarta-feira.
Na terça, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou que uma missão seria enviada rapidamente à Colômbia para entrar em contato com a guerrilha e tentar ter acesso a Ingrid Betancourt, que está muito doente e corre risco de vida.
Integrantes da missão
O governo francês também não deu maiores informações sobre os integrantes da missão. Segundo o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, um médico faz parte da equipe.
De acordo com a imprensa francesa, que cita fontes da Presidência, estariam também a bordo do avião um ex-cônsul da França em Bogotá, que já participava das negociações com as Farc, e também o cunhado de Ingrid Betancourt, também diplomata, ex-embaixador da França na Colômbia.
A missão tentará retomar os contatos com a guerrilha, interrompidos após a morte do número 2 das Farc, Raul Reyes, pelo Exército colombiano no início de março. Em seguida, tentará se deslocar até a selva e entrar em contato com Betancourt.
A imprensa francesa diz que as chances de sucesso desta missão e da eventual libertação da ex-senadora são "nebulosas".
"É preciso agora esperar que os nossos enviados especiais e o médico possam chegar ao local", disse o ministro Kouchner. "Não é simples."
O filho de Betancourt, Lorenzo Delloye, lançou nesta quarta em Paris um "último apelo" às Farc.
"Essa missão tem de se aproximar da minha mãe e efetuar os cuidados médicos necessários", disse Delloye, que confirmou que sua mãe estaria fazendo greve de fome. "Ela precisa de uma transfusão sangüínea nas próximas horas, caso contrário vai morrer."
A ex-senadora franco-colombiana e ex-candidata à Prêsidência da Colômbia está com hepatite B e sofreria também de leishmaniose.