31 de março, 2008 - 10h38 GMT (07h38 Brasília)
Guila Flint
De Tel Aviv para BBC Brasil
Um relatório divulgado por uma ONG israelese nesta segunda-feira diz que Israel não cumpriu seu compromisso de congelar a construção de assentamentos, assumido na Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos, em novembro de 2007.
O relatório, da ONG Paz Agora, diz que, desde a conferência, o governo israelense intensificou o ritmo das construções, tanto em Jerusalém Oriental como na Cisjordânia.
Segundo o relatório, intitulado A morte do congelamento dos assentamentos, a construção em 101 assentamentos israelenses na Cisjordânia se intensificou nos últimos quatro meses.
O relatório afirma que 500 casas e prédios estão sendo construídos atualmente nos assentamentos e cerca de 275 são construções iniciadas recentemente.
Segundo o documento, 20% dessa obras estão sendo realizadas em assentamentos que ficam a leste da barreira construída por Israel na Cisjordânia.
Além disso, das 184 casas móveis pré-fabricadas instaladas nos assentamentos, pelo menos 82% foram colocadas em locais que ficam a leste da barreira.
Estas são áreas que, segundo o governo israelense, seriam devolvidas aos palestinos em um contexto de um acordo de paz.
Assentamentos ilegais
O documento afirma ainda que a construção também foi intensificada nos assentamentos considerados "ilegais", ou seja, assentamentos que não foram autorizados pelo próprio governo israelense e que Israel havia se comprometido a retirar.
Segundo o documento, nos últimos quatro meses as obras continuaram em pelo menos 58 dos 110 assentamentos construídos por colonos sem a autorização oficial do governo.
Entre os assentamentos em expansão, o relatório menciona Dolev, Psagot, Ofra e Yitzhar (no norte da Cisjordânia) que, segundo as declarações do governo israelense, deverão ser retirados depois do acordo com os palestinos.
O ministério da Defesa também aprovou pelo menos 946 novos projetos de construção na Cisjordânia.
Jerusalém
O relatório do Paz Agora afirma ainda que, desde a Conferência de Annapolis, o governo israelense acelerou a construção em Jerusalém Oriental (reinvidicada pelos palestinos como a capital de um futuro Estado Palestino).
Entre dezembro de 2007 e março de 2008 o governo de Israel publicou licitações para 750 novas construções em Jerusalém Oriental.
Segundo o documento, durante todo o ano de 2007 o número de novas construções em Jerusalém Oriental foi de apenas 46 unidades.
Apesar de o relatório indicar uma ampliação dos assentamentos israelenses, o governo continua declarando que estaria disposto a se retirar de pelo menos uma parte da Cisjordânia.
Neste domingo, a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, disse, após um encontro com a secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, que o governo israelense deverá dar apoio aos colonos que resolverem se retirar dos territórios ocupados.
Segundo Livni, o governo deverá pagar uma indenização aos colonos que quiserem se retirar dos assentamentos, para que eles
possam reconstruir suas vidas dentro das fronteiras de Israel.