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27 de março, 2008 - 04h48 GMT (01h48 Brasília)

Guila Flint
De Tel Aviv para a BBC Brasil

Pai de soldado israelense capturado acusa premiê de indecisão

Noam Shalit, pai do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por militantes palestinos há quase dois anos, acusou nesta quarta-feira o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, de não ser capaz de tomar uma decisão para soltar seu filho.

Shalit declarou que Olmert continua hesitando e adiando as decisões e alertou para o risco que seu filho está correndo no cativeiro na Faixa de Gaza.

Noam Shalit, que era uma pessoa anônima até o dia 25 de junho de 2006, quando seu filho Gilad foi capturado por militantes do Hamas, tornou-se uma figura pública, e suas declarações são citadas pela mídia israelense.

Nesta quarta-feira, Shalit fez um discurso em um evento de solidariedade com os soldados israelenses capturados, na Universidade de Bar Ilan, e criticou duramente o primeiro-ministro israelense.

“Olmert continua hesitando, evita tomar decisões, diferentemente de seus antecessores, Sharon e Netaniahu, que souberam tomar decisões dificeis”, disse Shalit, referindo-se a antecedentes nos quais os ex-primeiros-ministros Ariel Sharon e Biniamin Netaniahu decidiram libertar prisioneiros em troca de israelenses capturados por grupos militantes.

“Será que Gilad é o único que tem que pagar o preço pelas falhas do exército?”, perguntou Shalit, dirigindo-se ao premiê israelense.

Resultados

Shalit cobrou resultados de Olmert, que já declarou várias vezes que “trabalha dia e noite para libertar os soldados capturados”.

“Tenho as fotos de Gilad Shalit, Ehud Goldwasser e Eldad Regev em cima da minha mesa de trabalho, nunca esqueço deles e faço todos os esforços para libertá-los”, declarou Olmert.

Mas o pai do soldado Shalit afirmou que “só pode julgar os esforços pelo resultado e o resultado é zero porcento de sucesso”.

As famílias dos soldados Goldwasser e Regev, capturados pelo grupo xiita libanês Hezbollah no dia 12 de julho de 2006, também criticaram a atitude do governo e exigem a libertação de seus filhos.

No entanto, as críticas feitas nesta quarta-feira por Noam Shalit são consideradas as mais incisivas até agora.

Shalit também alertou para o risco de vida que seu filho corre na Faixa de Gaza.

“A situação em Gaza é extremamente explosiva”, disse, “a qualquer momento alguém pode perder o controle e então todos nós nos arrependeremos por não termos agido a tempo”.

Sigilo

O governo israelense mantém sigilo sobre as negociações para a libertação dos soldados capturados.

De acordo com a mídia de Israel, as negociações com o Hamas para a libertação de Gilad Shalit estão sendo feitas por intermédio do Egito.

O Hamas exige a libertação de centenas de prisioneiros palestinos em troca de Shalit, e até agora o governo israelense teria rejeitado as listas de prisioneiros apresentadas pelo Hamas.

No caso dos soldados israelenses capturados pelo Hezbollah, o principal intermediador é o governo alemão.

Até hoje as famílias dos soldados Goldwasser e Regev não receberam prova alguma de que eles estejam vivos.

Já a família de Shalit recebeu pelo menos uma carta do filho.