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26 de março, 2008 - 11h10 GMT (08h10 Brasília)

Premiê iraquiano dá prazo para milícias deporem armas em Basra

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, deu um prazo de 72 horas para que as milícias xiitas em Basra deponham as armas, ameaçando-as com “penas severas” caso a exigência não seja cumprida.

As operações militares de forças do governo iraquiano contra milícias armadas xiitas foram retomadas nesta quarta-feira, depois de uma noite de relativa calma na cidade.

Há informações de que soldados iraquianos estejam entrando nas áreas dominadas pelo Exército de Mehdi, a milícia xiita fiel ao líder religioso Moqtada al-Sadr.

Fontes médicas na cidade afirmam que pelo menos 40 pessoas morreram nos conflitos desde terça-feira. Mais de cem teriam ficado feridas.

Também houve confrontos entre a milícia e o Exército americano na capital, Bagdá, onde pelo menos 20 pessoas morreram.

Desobediência civil

Em várias partes da cidade, lojas e escritórios permaneceram fechados, no que parece ser o início de uma campanha de desobediência civil convocada por Moqtada al-Sadr.

Segundo o analista da BBC para o Oriente Médio Roger Hardy, os integrantes da milícia estão convencidos de que esta é uma tentativa de enfraquecê-los antes das eleições provinciais marcadas para outubro.

Segundo Hardy, a estratégia de enfrentamento adotada pelo governo seria de alto risco.

O movimento Sadrista conta com vasto apoio, especialmente entre os jovens e pobres, e tem redutos em Basra e muitas outras cidades de predominância xiita no sul do Iraque.

Além disso, se o grupo retomar ações armadas e acabar de vez com o cessar-fogo sustentado pela milícia desde meados do ano passado, ele iria enfraquecer seriamente as afirmações do governo – e da Casa Branca – de que o Iraque tomou um novo rumo, deixando a guerra civil para trás e iniciando um período de reconciliação política.