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18 de março, 2008 - 15h04 GMT (12h04 Brasília)

Marina Wentzel
de Hong Kong para a BBC Brasil

China impede acesso a informações sobre Tibete, diz ONG

Um relatório da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta terça-feira que notícias sobre o conflito no Tibete estão sendo censuradas pelo governo chinês e que correspondentes tem sido impedidos de investigar o que se passa na região.

As linhas telefônicas do Tibete foram desconectadas, e sites na internet, assim como o sinal de transmissão de canais de rádio e televisão internacionais que estiverem mencionando os protestos ocorridos na capital Lhasa e em outras regiões, foram bloqueados, informa o documento.

Mais de 25 jornalistas estrangeiros já foram expulsos do Tibete. Além disso, o governo chinês não está emitindo vistos de acesso para correspondentes que queiram visitar o Tibete e desde o dia 14 março não atende telefones, nem retorna faxes enviados com pedidos de permissão para viajar a região.

"Mais uma vez o governo chinês está pisoteando as promessas que fez em relação aos jogos Olímpicos e está preparando o solo para reprimir os revoltosos no Tibete sem a presença de testemunhas", acusou a organização.

Reaberto

Em coletiva de imprensa concedida nesta terça-feira na capital, Pequim, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, disse que a situação está se normalizando e que os jornalistas internacionais poderão retornar ao Tibete em breve.

Entretanto, o líder chinês não explicou a razão pela qual está sendo negado o acesso imediato a Lhasa aos profissionais da imprensa. E também não deu justificativas para o bloqueio de sites como YouTube, BBC, CNN e Yahoo News.

Segundo a RSF, buscas pela palavra Tibete na internet da China resultam em páginas inacessíveis ou em sites hostis à causa da independência tibetana.

De acordo com o dossiê, vários sites trazem "comentários racistas, pedindo a morte dos 'separatistas'".

Na imprensa chinesa, a versão corrente dos eventos no Tibete é a oficial, reportada pela agência de notícias Xinhua, segundo a qual os monges tibetanos teriam agido como "delinqüentes" a mando do Dalai Lama e teriam atacado a população local do Tibete.

A TV estatal chinesa mostra apenas imagens de tibetanos destruindo estabelecimentos chineses, enquanto que cenas mostrando o confronto entre tropas leais ao governo e manifestantes transmitidas por televisões internacionais como CNN e BBC foram tiradas do ar.