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17 de março, 2008 - 11h05 GMT (08h05 Brasília)

Brasil 'retém mulher e bebê espanhóis', diz 'El País'

O caso de uma brasileira com dupla nacionalidade espanhola que foi barrada no aeroporto de Salvador, Bahia, quando tentava sair do país com seu filho de 22 meses, é destaque na edição desta segunda-feira do jornal espanhol El País.

Segundo o jornal, Lucia Silva e seu filho Leonardo foram impedidos de viajar “em plena crise pelo controle migratório em Barajas (aeroporto de Madri)”.

Segundo o jornal, a Polícia Federal disse à Lucia que ela foi retida no aeroporto por causa “do reforço nas medidas de segurança com passageiros espanhóis”.

“As represálias ordenadas pelo Brasil diante da rejeição e conseqüente retorno de dezenas de seus cidadãos no aeroporto madrilenho de Barajas já provocaram, até o momento, a devolução de pelo menos 13 espanhóis que foram proibidos de entrar no país sul-americano por ‘tratamento recíproco’, nas palavras do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.”

“Mas o caso de Lúcia e seu filho vai mais longe, ao ser impedida sua volta a Barcelona com a documentação de ambos em dia. ‘Faz alguns meses fiz esta mesma viagem, também com meu filho, e ninguém me causou nenhum problema’, lembra Lúcia, que espera poder tomar o avião de volta na quinta-feira”, diz o El País.

A mulher teria sido impedida de viajar porque não tinha autorização do pai de Leonardo para que ele viajasse acompanhado por apenas um dos progenitores, uma exigência feita a todos os pais e mães de filhos brasileiros ao sair do Brasil com filhos.

O jornal afirma que Lúcia só vai conseguir voltar para casa se as autoridades aceitarem a carta em português, autenticada e enviada por fax pelo marido da brasileira, o espanhol José Ramón Algora.

O casal teria dito ao jornal que isso só aconteceu porque Lúcia apresentou o passaporte espanhol na hora de sair do país.

Na quinta-feira, o Ministério dos Assuntos Exteriores espanhol divulgou uma nota recomendando aos espanhóis que pretendem viajar ao Brasil que se informem junto ao consulado ou à embaixada por conta “do maior rigor nos controles de imigração” nos aeroportos brasileiros.