17 de março, 2008 - 17h28 GMT (14h28 Brasília)
Bruno Garcez
Da BBC Brasil em Washington
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que não se pode fazer do ''(combate ao) terrorismo uma guerra santa que justifique liquidar com todos os princípios do direito internacional''.
A declaração foi feita em resposta a uma pergunta sobre o fato de a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, ter dito que o ônus de impedir novos incidentes na fronteira entre a Colômbia e os países vizinhos compete tanto a eles como aos colombianos.
Amorim é um dos ministros das Relações Exteriores que participam de uma reunião especial da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, nesta segunda-feira, para tratar da crise entre Colômbia e Equador.
A crise foi desencadeada por um ataque da Colômbia a um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano.
Na reunião, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, apresentará um relatório elaborado após visitas realizadas por ele aos dois países.
Discórdia
A OEA classicou a ação colombiana como uma violação à soberania equatoriana, mas o governo do Equador quer que o órgão vá além e condene a ação colombiana.
Já as autoridades colombianas querem que a OEA enfatize as necessidades das nações vizinhas de combater o terrorismo, a fim de justificar sua incursão em território venezuelano.
Na opinião de Amorim, os dois princípios não são conflitantes, mas o combate ao terrorismo não pode justificar violação da soberania de outras nações.
''Não tem complicação nenhuma. Esse é um princípio básico das Nações Unidas, a inviolabilidade das fronteiras. É um direito básico e um dos deveres do Estado."
Amorim
Mas Amorim acrescentou que ''todos temos que cooperar para combater o terrorismo, e não só o terrorismo. Temos que combater todas as ações ilícitas''.
O chanceler disse acreditar que os ministros ''não terão que inovar muito'' em relação a resoluções recentes a respeito da tensão entre os dois países.
Amorim disse ser necessário que a OEA adote ''medidas práticas que ajudem a criar confiança para evitar que esses incidentes voltem a ocorrrer''.
''Os detalhes não interessam muito. O importante é que eles não ocorram de novo.''
No ataque da Colômbia em território equatoriano, em 1º de março, foi morto o segundo líder mais importante das Farc, Raul Reyes.
Depois da ação, Equador e Venezuela chegaram a romper relações com a nação vizinha.