15 de março, 2008 - 03h06 GMT (00h06 Brasília)
O governo colombiano confirmou, na sexta-feira, que pagará uma recompensa em dinheiro ao rebelde das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que matou seu chefe, um alto líder da guerrilha, na semana passada.
Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, disse que o valor da recompensa ainda não havia sido definido, mas que poderia chegar até US$ 2,5 milhões.
Pedro Pablo Montoya, de codinome ‘Rojas’, confessou ter matado Ivan Ríos, de quem era segurança, porque queria se desligar da guerrilha mas temia a represália do chefe.
Ele se apresentou às autoridades levando a mão direita de Ríos como prova, além de seu computador, carteira de identidade e passaporte. Mais tarde, revelou onde enterrou os corpos do guerrilheiro e de sua parceira.
Incentivo
Juan Manuel Santos disse que o pagamento será feito a Montoya e a outros três guerrilheiros que entregaram o computador de Ríos, contendo informações importantes sobre estratégias das Farc.
Ele acrescentou que a política de pagamento a desertores da guerrilha está ajudando o governo colombiano a lutar contra as Farc.
A iniciativa tem recebido críticas de alguns setores do governo, que não concordam em recompensar uma pessoa que deveria estar sendo julgada por homicídio.
De acordo com o correspondente da BBC na Colômbia, Jeremy McDermott, Montoya tem uma “história sangrenta” como guerrilheiro.
Ele disse ter matado o chefe com um único tiro e, em seguida, sua companheira. Os dois dormiam na hora do crime.
Montoya disse que a recompensa será um incentivo para que "outros guerrilheiros matem seus comandantes e se entreguem".
A morte de Ríos aconteceu uma semana depois que tropas colombianas bombardearam um acampamento das Farc em território equatoriano, matando 43 guerrilheiros, entre eles Raúl Reyes, membro do secretariado da guerrilha.
A violação da soberania do território equatoriano gerou uma grave crise diplomática entre os vizinhos, que ainda envolveu a venezuela e a Nicarágua.
O impasse foi solucionado durante a cúpula do Grupo do Rio, na semana passada, na República Dominicana.