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12 de março, 2008 - 19h54 GMT (16h54 Brasília)

Guila Flint
De Tel Aviv para a BBC Brasil

Israel decreta boicote à emissora Al Jazeera

O Ministério das Relações Exteriores de Israel decretou nesta quarta-feira um boicote à emissora de TV Al Jazeera, do Catar, o canal com a maior audiência no mundo árabe.

De acordo com as autoridades israelenses, a emissora “incita o terrorismo”.

O vice-ministro das Relações Exteriores de Israel, Majali Wahabe, afirmou que a Al Jazeera “é inconfiável, prejudica Israel e incita as pessoas a atividades terroristas”.

“Israel não vai mais prestar serviços a um canal que pode nos causar sérios danos”, disse Wahabe.

O ministério também afirma que a Al Jazeera é “tendenciosa em favor do Hamas”.

A partir desta quarta-feira, porta-vozes israelenses deixarão de dar entrevistas à emissora e as instituições governamentais de Israel suspenderão qualquer tipo de colaboração com os jornalistas do canal.

Os jornalistas da Al Jazeera estarão, inclusive, proibidos de entrar em escritórios do governo.

O diretor da Al Jazeera em Israel, Walid El Omari, disse “estar espantado” com a decisão do governo israelense.

“É surpreendente que um país que fala tanto de democracia persiga jornalistas e tente reduzir a liberdade de expressão e de movimentação”, disse El Omari.

A crise entre a emissora e o governo israelense se agravou depois da cobertura do canal aos últimos choques na Faixa de Gaza, que deixaram mais de 120 palestinos mortos.

De acordo com as autoridades israelenses, a cobertura foi “propaganda do Hamas”.

O boicote à Al Jazeera foi criticado por especialistas em mídia de Israel.

Raanan Gissin, que foi porta-voz do ex-primeiro ministro de Israel, Ariel Sharon, afirmou que a decisão “talvez satisfaça uma vontade de vingança, porém Israel está abandonando o palco para apenas um tipo de opinião”.

O ex-embaixador de Israel no Egito, Tzvi Mazel, também criticou a decisão e afirmou que, em vez de boicotar a Al Jazeera, Israel deveria enviar à emissora porta-vozes “fortes, que pudessem apresentar as posições de Israel de uma maneira mais vigorosa”.