07 de março, 2008 - 18h34 GMT (15h34 Brasília)
A Espanha se prepara para ir às urnas neste domingo para escolher um novo parlamento – e o tema da imigração foi um dos que mais foram abordados pelos dois principais candidatos a primeiro-ministro durante a campanha eleitoral.
Tanto o atual premiê, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, quando o conservador Mariano Rajoy prometem endurecer os controles para evitar a entrada de mais imigrantes no país, agora que a Espanha já tem 10% da população nascida em outros países.
Ainda assim, os dois têm visões bastante diferentes sobre o assunto.
Rajoy, do PP (Partido Popular), defende uma lei dura. Ele promete que nunca mais haverá anistias em massa para os imigrantes ilegais, que todo estrangeiro que cometer crimes será expulso da Espanha e propõe que os imigrantes tenham que passar por um teste sobre a cultura e costumes espanhóis para renovar licenças de moradia.
O candidato, que tem apoio do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e da chanceler alemã, Angela Merkel, culpa os imigrantes pelo aumento da delinqüência no país.
Zapatero, do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) fez uma anistia em 2006 regularizando 600 mil imigrantes ilegais e ressaltou em dois debates o papel positivo dos estrangeiros na Espanha por contribuírem com a natalidade, pagarem impostos e aumentarem a mão-de-obra disponível.
Mas o atual premiê, que tenta a reeleição, também quer endurecer a lei. O socialista chamou a política de Rajoy de xenófoba e de extrema-direita, mas concorda em impedir a entrada de mais estrangeiros.
Em entrevista publicada nesta sexta-feira no jornal El País, Zapatero disse que a estimativa de ilegais no país atualmente está em torno de 250 mil pessoas. E o objetivo é expulsá-los.
"Na medida em que pudermos, (o objetivo é) repatriar. Quando temos um imigrante ilegal, o repatriamos", respondeu o primeiro-ministro.
Desde que a Espanha se tornou o segundo país no mundo que mais imigrantes recebeu nos dois últimos anos (segundo o Eurostat, Departamento de Estatística da União Européia), atrás apenas dos Estados Unidos, o tema passou a preocupar ainda mais o eleitorado.
Outros temas
Além da imigração, outros temas polêmicos marcaram a campanha.
Zapatero criou a lei de casamento entre homossexuais, permitindo que os casais gays adotem menores, e a lei da memória histórica, que condena o regime militar de Francisco Franco (1939-1975) e o respaldo que a Igreja Católica deu ao ditador.
Rajoy promete revogar todas as leis sociais aprovadas pelos socialistas e criar o Ministério da Família para defender os bons costumes.
Quanto à política externa, as primeiras medidas de Zapatero foram retirar as tropas espanholas do Iraque e melhorar as relações com a América Latina.
O socialista promete seguir essa linha, tendo o Brasil como interlocutor entre América do Sul e União Européia.
Já Rajoy disse que quer reconstruir a "velha Europa" com apoio de França e Alemanha.
Pesquisas
A campanha eleitoral que termina à meia-noite desta sexta-feira foi interrompida pelo assassinato, nesta sexta-feira, de um ex-vereador no País Basco.
O grupo separatista basco, ETA, reivindicou o crime.
As eleições parlamentares espanholas decidirão os novos deputados e senadores. O partido mais votado elege o primeiro-ministro.
Segundo as últimas pesquisas, Zapatero é o favorito, seguido de Rajoy, em desvantagem de entre 5% e 7% das intenções de voto.
Com informações de Anelise Infante, de Madri para a BBC Brasil