06 de março, 2008 - 09h09 GMT (06h09 Brasília)
Márcia Bizzotto
De Bruxelas para a BBC Brasil
O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, se reuniu com autoridades e políticos europeus em Bruxelas como parte de uma ofensiva diplomática do governo colombiano na Europa em busca de apoio na crise diplomática aberta com o Equador e a Venezuela.
A viagem de Santos vem sendo realizada ao mesmo tempo em que o presidente do Equador, Rafael Correa, faz um giro por países sul-americanos para conseguir apoio à uma condenação ampla contra a Colômbia por causa da incursão militar realizada em território equatoriano no sábado.
Santos esteve em Genebra para participar de uma conferência da ONU, e, na quarta-feira, se reuniu com a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, e o chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana.
A União Européia até agora não se posicionou sobre a crise sul-americana, e seus representantes não se manifestaram após os encontros com o vice-presidente da Colômbia.
“Foi uma reunião informal, portanto imprevista e curta”, disse à BBC Brasil a porta-voz de Ferrero-Waldner, Christiane Hohmann.
“A comissária expressou sua preocupação pelo aumento da tensão na região e principalmente pelo envio de tropas às fronteiras, e pediu ao vice-presidente que busque uma solução pacífica para o conflito”, limitou-se a dizer.
A única manifestação clara de apoio à Colômbia veio após um encontro entre Santos e líderes dos partidos Popular, Socialista e Alde (liberal democrata) no Parlamento Europeu.
O deputado espanhol Ignasi Guardans, líder do partido Alde no Parlamento Europeu, disse que Colômbia tem “direito a receber todo o apoio da UE e da comunidade internacional”.
Segundo Guardans, Santos entregou aos deputados relatórios com dados registrados no disco rígido do computador de Raúl Reyes, o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), morto pelas tropas colombianas em território equatoriano.
As informações, definidas como “graves” pelo parlamentar, comprovariam o vínculo dos governos de Venezuela e Equador com a guerrilha e justificariam o apoio internacional ao governo de Álvaro Uribe.
Críticas
Antes da viagem a Bruxelas, o vice-presidente colombiano participou de uma conferência da ONU em Genebra, onde acusou os guerrilheiros das Farc de tentarem adquirir material radioativo para fazer uma “bomba suja”.
A incursão colombiana no lado equatoriano da fronteira, que culminou com a morte de Reyes no sábado passado, desencadeou a crise diplomática entre a Colômbia e o Equador.
Em apoio ao Equador, o governo venezuelano fechou sua embaixada na Colômbia e enviou tropas à fronteira com o país.
Em uma conversa telefônica com o presidente Hugo Chávez, seu homônimo francês, Nicolas Sarkozy, também criticou a ação ordenada por Uribe, que só recebeu o apoio dos Estados Unidos.
Vários países sul-americanos se manifestaram contra o que classificaram de violação da soberania territorial equatoriana, entre eles o Brasil.