04 de março, 2008 - 15h01 GMT (12h01 Brasília)
Bruno Garcez
Enviado especial a Austin (Texas)
Na reta final da campanha, os ativistas de Hillary Clinton e Barack Obama no Texas iniciaram uma espécie de 'operação de guerra' para atrair eleitores.
Os militantes texanos de Hillary demonstraram uma paixão pela senadora capaz de rivalizar com a que vem sendo manifestada por ativistas de Obama em outras partes dos Estados Unidos.
Muitos pediram férias de seus empregos e estão se revezando em turnos de até oito horas nos escritórios de campanha, desfilando com cartazes ou promovendo ligações de última hora para garantir que os eleitores irão às urnas e estão a par do complexo sistema eleitoral do Texas.
A meta dos ativistas no Estado é a de realizar um total de 1 milhão de telefonemas lembrando eleitores não apenas a irem votar nesta terça, mas também a retornarem aos seus postos eleitorais após o fechamento das urnas, às 19h15, para participar dos caucus que acontecem logo depois das primárias.
Paixão x estereótipos
As paixões despertadas por Hillary e Obama transcendem os estereótipos étnicos com os quais os candidatos são muitas vezes associados.
Nere Emiko é uma afro-americana descendente de nigerianos que apóia a candidatura de Hillary Clinton. Ela contou à BBC Brasil que muitos de seus amigos negros que irão votar em Obama a acusaram de ter ''se vendido'' devido ao apoio à senadora.
''Mas não é questão de votar em uma pessoa negra, mas sim de votar na melhor pessoa'', disse.
A californiana Nancy Bernal, que veio de seu Estado natal para fazer campanha por Obama no Texas, é outra a desafiar clichês, já que, mesmo hispânica, não abraçou a candidatura de Hillary, como vários outros latinos.
''As batalhas enfrentadas por Obama e a sua trajetória representam uma história de sucesso americana. Me identifico muito mais com ele do que com Hillary Clinton'', afirmou Bernal à BBC Brasil.
Mapas e visitas
Os organizados e aguerridos ativistas pró-Obama têm se reunindo nos escritórios de campanha no Texas, munidos de mapas locais e listas com nomes de potenciais eleitores, para, em seguida, sair batendo de porta em porta, convocando votantes.
As listas de eleitores são obtidas a partir de um cruzamento de informações, com dados sobre quem eles votaram nas eleições presidenciais de 2004 e quais jornais e revistas eles assinam.
Os leitores de publicações consideradas mais liberais, como o jornal New York Times e a revista New Yorker têm mais chances de receber visitas, já que constituem o perfil de um potencial eleitor de Obama.
Surpresa
O voluntário Jim Brown, que foi acompanhado pela reportagem da BBC Brasil durante uma dessas visitas a potenciais eleitores, disse ter se surpreendido com a receptividade das pessoas.
''Foi a primeira vez que fiz isso e estava esperando que as pessoas fossem ser muito mais hostis. Mas a maior parte foi muito simpática'', afirmou Brown.
Brown nem mesmo teve de abrir mão de suas habilidades naturais. Ele faz um curso de retórica na Universidade do Texas, em Austin.