26 de fevereiro, 2008 - 18h10 GMT (15h10 Brasília)
O governo do Iraque divulgou nesta terça-feira sua mais forte condenação à incursão militar da Turquia no norte do país.
Uma declaração do gabinete de governo afirmou que a operação da Turquia é uma violação da soberania iraquiana.
"O gabinete de governo expressa sua rejeição e condenação à interferência militar turca, que é considerada uma violação da soberania do Iraque", afirmou o porta-voz do governo iraquiano Ali al-Dabbagh.
"O gabinete também exige que a Turquia retire suas forças imediatamente e paralise a intervenção militar", acrescentou.
Dabbagh afirmou que uma "ação militar unilateral não é aceitável e ameaça as boas relações entre os dois países vizinhos".
A atual ofensiva turca no Iraque começou na última quinta-feira e, segundo o Exército da Turquia, 153 rebeldes curdos já foram mortos. Outros 19 soldados turcos teriam morrido.
Esconderijo
A Turquia alega que o Iraque não está reprimindo a atuação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo) no lado iraquiano da fronteira comum, que seria um esconderijo para os rebeldes.
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que seu país tem o direito de se defender contra os rebeldes curdos do PKK.
Erdogan acrescentou que a operação militar no Iraque será encerrada quando atingir seu objetivo, que é destruir as bases do PKK na região.
A neve está prejudicando as operações, segundo militares turcos. As operações estão ocorrendo perto de bases curdas rebeldes no vale de Zap e na região montanhosa de Hakurk.
Políticos curdos iraquianos condenaram as ações da Turquia em uma reunião de emergência no Parlamento regional curdo no norte do Iraque.
O porta-voz do governo iraquiano Ali al-Dabbagh afirmou que uma delegação enviada pelo primeiro-ministro turco chega a Bagdá na quarta-feira para uma reunião com o presidente Jalal Talabani e outros membros do governo.
"Queremos preservar o bom relacionamento com a Turquia e a Turquia precisa entender que a situação é perigosa e pode piorar devido a erros militares", disse o porta-voz.
"Confrontos podem se expandir e incluir civis e a infra-estrutura, e isso é algo que o governo iraquiano não vai aceitar", acrescentou Dabbagh.