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26 de fevereiro, 2008 - 22h30 GMT (19h30 Brasília)

Cocaína afeta parte do cérebro ligada à força de vontade, diz pesquisa

Uma pesquisa do Trinity College, de Dublin, na Irlanda, revelou que a cocaína altera partes do cérebro associadas ao que coloquialmente é chamado de força de vontade.

No estudo, os pesquisadores fizeram exames nos cérebros de usuários da droga enquanto eles faziam trabalhos no computador.

Os testes mostraram que a cocaína aumentou a atividade em áreas do córtex pré-frontal, região do cérebro associada ao controle emocional e à tomada de decisões.

Os exames também revelaram diferenças nas estruturas cerebrais dos usuários de cocaína. Ainda não se sabe se estas diferenças existiam antes dos examinados começarem a usar a droga ou se foram resultado do hábito.

Mas as descobertas levantam a possibilidade de que diferenças na estrutura cerebral possam fazer com que pessoas sejam potencialmente mais vulneráveis aos efeitos da cocaína.

“Problema médico”

"Esta pesquisa nos ajuda a afastar a idéia de que a dependência de drogas é uma fraqueza moral e nos permite ver (a dependência) mais como um problema médico", afirmou Hugh Garavan, que liderou a pesquisa.

"Compreender o papel que nosso cérebro tem no processo que leva à dependência pode também ter implicações importantes para o tratamento do vício no longo prazo e também para a criação de terapias", acrescentou.

Segundo Garavan, os estudos anteriores a respeito do uso e vício em cocaína se concentraram em aspectos emocionais do problema, como o prazer que a droga provoca, o desejo de consumi-la e a crise de abstinência.

"Agora sabemos que os efeitos da cocaína no cérebro são multifacetados", disse o médico Gerome Breen, do Instituto Britânico de Psiquiatria.

"Garavan e seus colaboradores nos mostraram de forma convincente que as regiões do cérebro que controlam o impulso têm suas atividades alteradas pela cocaína. Isto ajuda em nossa compreensão dos efeitos e também na compreensão do vício em cocaína", afirmou.