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22 de fevereiro, 2008 - 17h27 GMT (14h27 Brasília)

Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

Brasil não cede gás boliviano, mas oferece opção à Argentina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve apresentar à Argentina uma oferta alternativa de energia no lugar de ceder gás boliviano ao país vizinho, informou nesta sexta-feira, em Buenos Aires, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

"A Petrobras acha que é impossível abrir mão de qualquer molécula de gás vinda da Bolívia", disse Gabrielli. "Isso não quer dizer que a Petrobras não seja sensível às necessidades do mercado elétrico da Argentina."

"A Petrobras está disposta, conjuntamente com o Brasil, a analisar algumas possibilidades de fornecimentro elétrico à Argentina em momentos emergenciais, viabilizando geração elétrica adicional à necessidade do Brasil para exportação à Argentina", acrescentou.

"Isso é possivel utilizando termelétrica a óleo combustível, termelétrica a gás natural GNL e é possivel com acumulação de água em momentos distintos no tempo", afirmou o presidente da Petrobras.

De acordo com Gabrielli, Lula vai tratar do assunto na reunião que terá neste sábado com a presidente argentina Cristina Kirchner e com o líder boliviano Evo Morales, em Buenos Aires.

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Contrato

Gabrielli ressaltou que o contrato com a Bolívia, assinado pela Petrobras para abastecer o mercado brasileiro, vence apenas em 2019.

"Hoje, recebemos 30 milhões de metros cúbicos diários de gás, e não podemos abrir mão, de forma alguma, de nenhuma parte desta energia."

Se a Argentina aceitar a oferta brasileira, trocará a dependência que tem hoje do gás boliviano pela ajuda brasileira.

Quando perguntado sobre a possibilidade de retaliações da Argentina contra a Petrobras, como se especulou na imprensa argentina, Gabrielli disse não temer isso. "Não temos medo de retaliações", afirmou. "Não acredito nisso."

"Amor e ódio"

De acordo com a imprensa argentina, o governo do país estaria impondo dificuldades à Petrobras para a compra de ativos da petroleira Esso no país.

Gabrielli deixou claro que a relação de sua empresa com o governo argentino não é perfeita.

"É uma relação igual à de qualquer empresa petrolífera grande com um país do mundo", disse. "Uma relação de amor é ódio."

Em Buenos Aires, Lula assinou 17 acordos nesta sexta-feira com a colega Cristina Kirchner, incluindo parcerias nas áreas de energia nuclear e produção conjunta de aviões, que envolve a Embraer e a estatal argentina do setor Area Material Córdoba (AMC).

O presidente Lula retorna para Brasília no sábado.