21 de fevereiro, 2008 - 15h11 GMT (12h11 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Buenos Aires, na Argentina, nesta quinta-feira à noite, para a assinatura de uma série de acordos com a colega Cristina Kirchner nas áreas militar, nuclear, espacial e de energia, entre outras.
Mas a preocupação com o abastecimento de gás – preocupação mais urgente – promete ser o principal assunto desta viagem do presidente ao país vizinho.
A disputa entre Brasil e Argentina pelo gás exportado da Bolívia fez com que os dois presidentes convidassem o presidente boliviano, Evo Morales, para um encontro no sábado, em Buenos Aires, para discutir formas de evitar cortes de energia na região.
A Bolívia não produz hoje gás suficiente para atender sua demanda interna e os contratos com o Brasil e com a Argentina. Nesta equação, como reconheceram autoridades do governo boliviano, passou a se enviar menor quantidade que a prevista para o mercado argentino, mantendo-se as metas estabelecidas com o Brasil.
Na área energética, Lula e Cristina, acompanhados de seus ministros de diferentes áreas, poderiam tratar ainda de avançar projetos conjuntos, com o objetivo de aumentar a oferta para os dois países.
O problema é que a Argentina tem pressa e o pacote de redução do consumo de energia, anunciado por Cristina recentemente, ainda não surtiu efeito.
Sua preocupação é com a energia já escassa no verão e o medo de um inverno rigoroso como o do ano passado, que levou a paralisação de setores da indústria.
Gaúcho
Entre os acordos a serem fechados entre Brasil e Argentina, está prevista a produção entre os dois países do veículo militar batizado de Gaúcho. Os presidentes devem assistir uma exposição sobre o veículo e estabelecer um cronograma para sua produção e comercialização.
Segundo informação publicada no site do Ministério de Defesa da Argentina, o Gaúcho foi construído pelo Exército dos dois países e apresentado, em Buenos Aires, numa cerimônia militar em abril de 2006. O Gaúcho é definido como um carro leve que poderia ser equipado com uma metralhadora 7,62 mm e um canhão.
Assessores do governo argentino afirmaram nesta quinta-feira que o acordo na área militar poderá incluir a fabricação de armamentos tanto para a defesa nacional quanto para a exportação.
Para Cristina, o objetivo é aproximar cada vez mais a Argentina do Brasil tanto na área política quanto no setor produtivo – uma das marcas da sua campanha eleitoral.
O acordo na área de Defesa, disse o governo brasileiro, poderia contar ainda com a venda de aviões da Embraer para o mercado
argentino e a possibilidade de projetos aeronáuticos conjuntos para o Ministério da Defesa da Argentina e a empresa brasileira.