20 de fevereiro, 2008 - 01h18 GMT (23h18 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta terça-feira que o anúncio do líder cubano, Fidel Castro, de renunciar ao cargo de presidente do Conselho de Estado de Cuba é um gesto de “desprendimento pessoal” de Fidel que o “enaltece”.
“Esse é um gesto de desprendimento pessoal que o enaltece. Isso é uma lição para aqueles que o acusam de ter se aferrado ao poder desesperadamente”, disse Chávez, durante a inauguração de um hospital público no interior da Venezuela.
Chávez disse que “lamentavelmente Fidel não recuperou totalmente sua saúde” e que no seu lugar, teria tomado a mesma decisão.
“No meu caso, eu teria feito o mesmo. Ele adiantou a sua decisão de abrir caminho para outro companheiro, diante da impossibilidade de fazer o que sempre fez, de andar recorrendo os campos, as fábricas”, disse Chávez.
Afastado do cargo há um ano e meio, após ter sido submetido a uma cirurgia, Fidel escreveu no diário do partido comunista de Cuba, Granma, que “trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Digo-o sem dramatismo”.
No próximo dia 24 a Assembléia do Poder Popular de Cuba indicará o nome do próximo presidente do Conselho de Estado, que tende a ser Raúl Castro, irmão de Fidel, que já ocupa interinamente o cargo.
'Fidel não renuncia a nada'
Chávez, que tem sido considerado por alguns analistas como o sucessor político de Fidel para a esquerda latino-americana, disse que Fidel não renuncia ‘a nada’.
“Fidel não renuncia, nem abandona nada. Como ele mesmo disse, ele passa a ocupar o posto que tem que ocupar na revolução cubana e na revolução da América Latina (...). Nunca se retiram os homens como Fidel.”
O presidente venezuelano disse admirar o povo cubano e voltou a afirmar que se considera como um filho de Fidel. “Todos nós somos filhos de Fidel, os revolucionários deste continente.”
Chávez disse que o povo cubano soube assimilar a ausência de Fidel nos últimos meses, quando o líder deixou o poder interinamente, e com este gesto teria demonstrado que a revolução cubana não depende apenas de uma pessoa.
“O povo cubano demostrou ao mundo, e sobretudo ao império, que a revolução cubana não depende de uma só pessoa, de uma circunstância (...). Onde quer que se lute pela causa humana, ali estará Fidel e Cuba”, disse Chávez.