20 de fevereiro, 2008 - 16h33 GMT (14h33 Brasília)
O porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, disse nesta quarta-feira que o Brasil não vai aceitar abrir mão de parte do gás a que tem direito em acordo firmado com a Bolívia para ajudar a Argentina, país que enfrenta uma crise energética.
"O presidente Lula é sensível à necessidade argentina", disse o porta-voz. "Em momentos críticos de falta de energia na Argentina, o Brasil continuará se esforçando para ajudar, sempre que for viável."
"Nas condições atuais, entretanto, o Brasil não pode abrir mão do volume de fornecimento contratado", acrescentou. "Eu saliento que o Brasil não pode se desabastecer."
O assunto deve ser tratado por Lula em uma reunião com o presidente boliviano, Evo Morales, e a presidente argentina, Cristina Kirchner, marcada para o próximo sábado, em Buenos Aires.
Negociação
Na semana passada, Morales disse que iria conversar com Lula e Cristina para que, juntos, encontrassem uma fórmula para distribuir o limitado gás boliviano aos dois países.
"Na questão da energia, temos que atuar dentro da complementaridade entre todos os governos da região", afirmou.
A sugestão de que o Brasil abrisse mão de parte de seu gás para ajudar a Argentina foi feita também na semana passada pelo vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, durante visita a Brasília.
Anteriormente, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já haviam dito que o Brasil não estava disposto a abrir mão do gás importado da Bolívia.
A Bolívia é dona da segunda maior reserva da região, mas a queda nos investimentos tem provocado queda na produção do país.
O Brasil importa diariamente 30 milhões de metros cúbicos de gás boliviano.
Segundo Baumbach, o presidente Lula não irá à Argentina com uma proposta concreta de alternativa a oferecer a argentinos e bolivianos.
"Por enquanto, não existe nenhuma proposta concreta, existe apenas a disposição de dialogar e auxiliar a Argentina", disse.