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19 de fevereiro, 2008 - 12h40 GMT (10h40 Brasília)

EUA e União Européia pedem transição democrática em Cuba

O presidente americano, George W. Bush, disse esperar que o anúncio da renúncia de Fidel Castro signifique o início de uma "transição democrática" em Cuba.

"Esse deve ser um período de transição, o começo de uma transição democrática para o povo de Cuba", afirmou Bush, que faz um giro por países africanos, durante entrevista coletiva na capital de Ruanda, Kigali.

A reação da Casa Branca à renúncia de Fidel é a que tem mais potencial de atrair as atenções da comunidade internacional, já que a política de confrontação entre Washington e Havana já dura meio século.

Em outras declarações nesta terça-feira, porta-vozes de governos e organizações estrangeiras se dividiram entre demonstrar seu afeto por Fidel e pedir uma transição política na ilha que ele governou por 49 anos, embora tenha passado os últimos 18 meses licenciado do cargo.

Na Grã-Bretanha, o porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown afirmou que Cuba tem a partir de agora “uma oportunidade para fazer progresso em direção a uma transição pacífica para uma democracia pluralista”. Ele acrescentou entretanto que “este é um assunto do povo cubano”.

Em entrevista à rádio nacional espanhola, o alto-representante da União Européia para Política Externa, o espanhol Javier Solana, disse esperar que a renúncia de Fidel leve Cuba a um processo de transição que seja “pacífico e rápido, com conseqüências positivas para a ilha”.

Já a secretária espanhola para assuntos latino-americanos, Trinidad Jiménez, declarou que a renúncia de Fidel deve reforçar a capacidade de seu irmão, Raúl Castro – que ocupa interinamente o poder desde julho de 2006 – de implementar um “projeto de reformas na ilha”.

“Agora Raúl Castro poderá assumir com mais capacidade, solidez e confiança este projeto de reformas, do qual, insisto, ele mesmo comentou”, afirmou a secretária à rádio espanhola. “Creio que isto poderia começar a se materializar.”

Direitos humanos

A situação dos presos políticos em Cuba também foi alvo de reações. Para Bush, a saída de Castro do poder deve levar à libertação dos presos políticos que se opõem ao regime comunista.

"São pessoas que foram colocadas na prisão porque ousaram falar o que pensam”, declarou Bush, acrescentando que "os Estados Unidos vão ajudar o povo de Cuba a conseguir sua liberdade".

A organização humanitária Anistia Internacional pediu que o sucessor de Fidel Castro liberte "incondicionalmente" os prisioneiros políticos em Cuba, mas procurou se distanciar da linha americano criticando medidas de restrição económica, como o embargo americano que vigora desde 1962.

"As reformas em Cuba devem começar com a libertação incondicional de todos os prisioneiros de consciência, a revisão judicial de todas as sentenças ditadas por julgamentos ilegítimos, a abolição da pena de morte, e a introdução de medidas para assegurar o respeito às liberdades fundamentais e a independência do Judiciário”, disse o comunicado da Anistia Internacional.

Em outro trecho, a ONG se opõe ao embargo econômico americano, afirmando que a restrição “também inflige danos aos direitos humanos dos cubanos”.