19 de fevereiro, 2008 - 12h02 GMT (10h02 Brasília)
Na carta em que anuncia sua renúncia, publicada nesta terça-feira na versão online do jornal oficial do Partido Comunista cubano, o Granma, o líder cubano Fidel Castro voltou a mencionar o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.
"Penso como Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final", diz a carta, repetindo uma frase que havia sido citada em uma outra carta lida por Fidel em uma transmissão da TV estatal cubana em dezembro.
Na carta desta terça-feira, Fidel afirma que na declaração de dezembro teria dado vários indícios de que estava disposto a renunciar.
A carta (de dezembro) "incluía discretamente elementos desta mensagem que hoje escrevo, e que nem o destinatário das missivas (Randy Alonso, diretor do programa Mesa Redonda da Televisão Nacional de Cuba) conhecia o meu propósito", diz o líder cubano.
A citação a Niemeyer é um dos trechos selecionados por Castro da carta anterior e citados na nova missiva, divulgada nesta terça:
"Meu dever elementar não é agarrar-me a cargos, e muito menos obstruir o caminho de pessoas mais jovens, e sim aportar experiências e idéias cujo modesto valor procede da época excepcional que me coube viver".
"Penso como (o arquiteto brasileiro Oscar) Niemeyer, que se deve ser conseqüente até o final", acrescentou.
'Teu amigo'
Na ocasião das comemorações dos 100 anos do arquiteto brasileiro, Fidel já tinha enviado uma carta a Niemeyer, felicitando-o pelo aniversário.
"Muitas felicidades pelo teu aniversário. Que muitas pessoas vivam e possam desfrutar como você de mais de cem anos. Teu amigo", escreveu Castro no final da carta, escrita no dia 10 de outubro.
Nesta correspondência, Fidel ainda fez comentários sobre o livro de Niemeyer, O Ser e a Vida, que será lançado neste ano.
"Eu o apoio plenamente em sua árdua batalha por estimular o hábito de ler. Você diz que sem a leitura o jovem sai da escola sem conhecer a vida", escreveu Fidel
"Ler é uma armadura contra todo tipo de manipulação".