15 de fevereiro, 2008 - 09h44 GMT (07h44 Brasília)
Denize Bacoccina
Da BBC Brasil em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita neste fim-de-semana a base brasileira na Antártida para mostrar apoio aos militares e pesquisadores brasileiros envolvidos no projeto e indicar para os outros países o interesse do país em participar do futuro do continente.
O presidente deve chegar à estação antártica Comandante Ferraz neste domingo, depois que a visita, marcada para o sábado, teve de ser adiada por causa do mau tempo.
A visita presidencial marca os 25 anos da presença brasileira no continente.
“É uma visita protocolar, onde ele vai conhecer e dar respaldo ao que vem sendo feito pelo Programa Antártico”, afirmou o comandante Eron de Oliveira Pessanha, encarregado da Divisão de Operações do Programa Antártico Brasileiro.
Este ano também se comemora o Ano Polar Internacional e a visita do presidente, diz o comandante Pessanha, mostra à comunidade internacional o apoio do governo brasileiro à ciência e às atividades desenvolvidas na Antártida.
Apesar do apoio político representado pela visita, a base ainda depende das emendas parlamentares para conseguir receber integralmente o orçamento de R$ 12 milhões por ano para custeio mais R$ 2,5 milhões para modernização das instalações e equipamentos.
O comandante Pessanha disse que o presidente não vai ouvir nenhum pedido explícito por mais verbas, mas os responsáveis esperam que, ao ver os trabalhos de pesquisa realizados no local, o governo se convença de que precisa destinar ou pelos menos garantir os recursos atuais para o funcionamento da estação.
“Ele vai ter conhecimento do que a base precisa para ser vista como uma base modelo, como já é”, afirmou.
Uma frente parlamentar criada no ano passado e liderada pelo senador Cristovam Buarque se empenha para endereçar emendas às atividades da base. A expectativa do comandante Pessanha é que a frente ganhe mais adesões e portanto mais recursos nos próximos anos.
A base brasileira é uma das 27 em operação na Antártida. A visita do presidente também deve reforçar a postura não territorialista brasileira em relação ao continente.
O Tratado da Antártida proíbe, até 2058, a posse de territórios, mas sete países reivindicam áreas – Argentina, Austrália, Chile, França, Nova Zelância, Noruega e Reino Unido. O Tratado congelou a discussão sobre a definição dos territórios, mas a reivindicação desses países continua, alguns deles sobre a mesma área, como é o caso de Reino Unido, Argentina e Chile.
Na estação brasileira vivem entre 25 e 60 pessoas, o maior contingente no verão, quando são realizadas pesquisas de oceanografia, biologia marinha, clima e até de agricultura.
Dos 19 projetos desenvolvidos atualmente na estação, nove estão integrados a projetos internacionais.