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13 de fevereiro, 2008 - 22h03 GMT (20h03 Brasília)

Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil

EUA apóiam Exxon-Mobil na disputa com a Venezuela

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou nesta quarta-feira que apóia a tentativa da companhia petrolífera americana Exxon-Mobil de obter o pagamento de uma compensação após sua saída do consórcio venezuelano na Faixa do Orinoco, nacionalizado no ano passado.

"Apoiamos totalmente os esforços da Exxon-Mobil de obter uma compensação justa por seus ativos, segundo o estabelecido nas leis internacionais", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack.

A Exxon-Mobil pede em um tribunal internacional o pagamento de seus ativos, após não ter aceitado as novas regras dos contratos de exploração na Faixa do Orinoco – uma região venenuelana rica em petróleo.

Apesar do apoio, o Departamento de Estado tentou se distanciar da disputa, que na Venezuela já tem sido caracterizada como um novo embate entre os governos do presidente venezuelano Hugo Chávez e do americano George W.Bush.

"É algo que tem que ser resolvido entre Venezuela e Exxon-Mobil e várias cortes ao redor do mundo", disse McCormack.

Protestos

Nesta terça-feira, a estatal venezuelana PDVSA anunciou a ruptura das relações comerciais com a Exxon-Mobil como um ato de "reciprocidade" frente à "agressão jurídica e econômica" por parte da empresa americana.

Leia também na BBC Brasil: Venezuela suspende relações com Exxon

Diante de centenas de trabalhadores da estatal petrolífera PDVSA, que se reuniram para protestar contra a Exxon-Mobil, o ministro de Energia e Petróleo e presidente da empresa, Rafael Ramirez, disse que a disputa com a Exxon-Mobil não é de caráter jurídico e sim político.

"Estamos defendendo os interesses de nosso país, de nossa empresa nacional contra os interesses das transnacionais", disse Ramirez.

Ele afirmou que a disputa com a Exxon-Mobil "desrespeita uma decisão soberana" do Estado venezuelano de controlar seus recursos naturais e legislar sobre eles.

"Venezuela se respeita. Aqui temos um governo revolucionário que faz com que se respeite nossa Constituição", disse, convocando todos os trabalhadores a defender os interesses do país e da PDVSA.

Mais cedo, cerca de cem manifestantes protestaram em frente à embaixada britânica em Caracas gritando frases como "Não ao terrorismo judicial" e "Não à intervenção das empresas imperialistas".

A disputa entre PDVSA e Exxon-Mobil teve início na semana passada, quando a empresa americana anunciou ter obtido um parecer favorável de tribunais de Grã-Bretanha, Holanda e Antilhas para o congelamento de US$ 12 bilhões em ativos da PDVSA nesses países.

O deputado governista José Albornoz disse à BBC Brasil que a corte britânica estaria assumindo uma postura “política e não jurídica” ao aceitar arbitrar o processo da empresa americana e cobrou do governo britânico um posicionamento.

Também nesta quarta-feira, um juiz dos Estados Unidos confirmou que US$ 300 milhões da PDVSA estão congelados por causa da disputa com a Exxon.