12 de fevereiro, 2008 - 04h27 GMT (02h27 Brasília)
Médicos na Austrália estão otimistas em relação ao estado de saúde do presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, depois que ele foi baleado em sua casa nos arredores da capital Dili.
Ramos-Horta foi atingido por três tiros quando estava em sua casa, na manhã de segunda-feira, em um ataque liderado pelo líder rebelde Alfredo Reinado.
Os médicos do hospital da cidade de Darwin, para onde Ramos-Horta foi transferido depois do ataque, afirmaram que o estado do presidente do Timor Leste é "grave, porém estável" e ele deverá ser submetido a pelo menos mais duas cirurgias.
O diretor do hospital de Darwin, Len Notaras, disse à BBC que espera a recuperação do presidente timorense.
"Os médicos acreditam que a boa forma física de José Ramos-Horta e sua força mental foram fatores decisivos", afirmou.
Mas, para Notaras apesar do otimismo, "seria tolice ficarmos confiantes demais neste estágio".
"Ainda é muito cedo. Desde a tentativa de assassinato se passaram pouco mais de 24 horas", afirmou.
Danos no pulmão
Ramos-Horta continua sob efeito de sedativos na Unidade de Terapia Intensiva no hospital de Darwin.
O presidente passou por uma cirurgia de duas horas para cuidar de danos no pulmão causados pelos tiros. Foram retirados estilhaços e pedaços de balas de seu tórax.
"Depois de perder esta quantidade enorme de sangue, a equipe médica acredita que ele tem muita sorte de estar vivo", disse Len Notaras à BBC.
O ataque contra Ramos-Horta ocorreu por volta das 07h00 locais (20h00 de domingo em Brasília) e foi liderado por Alfredo Reinado, um conhecido líder rebelde no país.
O presidente estava do lado de fora de sua casa, quando ouviu tiros e tentou retornar para dentro da residência. Foi durante este trajeto que ele teria sido alvejado por três tiros, um no abdômen e dois no peito.
Reinado e outro integrante do seu grupo, ainda não identificado, foram mortos na troca de tiros.
Na ocasião, pelo menos 37 pessoas foram mortas em várias semanas de combates e mais de 150 mil timorenses foram obrigados a deixar suas casas.
Estado de emergência
O primeiro-ministro do Timor Leste, Xanana Gusmão, decretou toque de recolher e estado de emergência de 48 horas em todo o país depois do ataque contra o presidente.
Gusmão também foi alvo de uma emboscada na segunda-feira de manhã quando saía de sua residência em direção ao Palácio do Governo.
Ele escapou sem ferimentos. Seu veículo, junto com o de sua segurança pessoal, foi atingido por tiros, mas todos os ocupantes saíram ilesos.
Gusmão anunciou nesta segunda-feira que Vicente Guterres, vice-presidente do Parlamento, assumiu a Presidência da República interinamente.
Em um discurso transmitido pela televisão, Guterres afirmou que as manifestações públicas estão proibidas e que a polícia teria poderes para fazer buscas nas casas dos timorenses.