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12 de fevereiro, 2008 - 23h14 GMT (21h14 Brasília)

Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil

Exxon diz querer negociar com Venezuela

A petrolífera americana Exxon-Mobil anunciou nesta terça-feira estar interessada em discutir com o governo da Venezuela o valor do projeto de exploração de petróleo cru que a companhia mantinha na Faixa do Orinoco, antes de ser nacionalizada no ano passado.

A Exxon-Mobil não aceitou as regras dos novos contratos de exploração de petróleo estabelecidos após a nacionalização e exige em tribunais internacionais o pagamento de uma compensação após sua saída do consórcio venezuelano na região da Venezuela que pode abrigar a maior reserva petrolífera do mundo.

"Nós continuamos interessados em ter negociações substanciais com o governo da Venezuela e com a estatal PDVSA sobre o valor justo de mercado dos ativos que foram expropriados", disse Mark Albers, vice-presidente da Exxon-Mobil durante a conferência de energia CERA.

As novas regras determinam que a PDVSA deve obter a parte majoritária das ações de qualquer consórcio na Faixa do Orinoco.

A nova disputa entre PDVSA e Exxon-Mobil teve início na semana passada, quando a empresa americana anunciou ter obtido um parecer favorável de tribunais de Grã-Bretanha, Holanda e Antilhas para o congelamento de US$ 12 bilhões em ativos da PDVSA nesses países.

O anúncio provocou a reação imediata do governo venezuelano, que nega que seus ativos energéticos tenham sido congelados.

Campanha

O processo judicial entre a Exxon-Mobil e a estatal PDVSA foi apontado pelo governo como mais um embate político com o governo americano.

A PDVSA produziu uma série de propagandas de televisão que falam da participação da petrolífera tanto em casos de contaminação ambiental, como acusam a Exxon-Mobil de ter apoiado a guerra no Iraque.

Uma das peças publicitárias que tem sido transmitida durante todo o dia nos canais de televisão estatais mostra imagens de pássaros mortos e do conflito no Iraque acompanhado da frase "Exxon-Mobil: uma empresa que converte petróleo em sangue".

No domingo, Chávez ameaçou cortar o abastecimento de petróleo aos EUA, seu principal mercado de exportação, se a companhia continuasse com o que considera ser uma "guerra econômica" contra seu governo.

O vice-ministro de Hidrocarbonetos, Bernard Mommer, disse que a proposta de Chávez é factível, mas poderia custar caro.

"Factível sempre é, agora tem um custo (…) sempre poderá criar desajustes econômicos, mas é possível. Neste caso, custaria dinheiro para nós e para o outro lado também (EUA)", disse Mommer ao canal de televisão estatal.

A Venezuela é o quarto maior fornecedor de petróleo cru ao mercado dos EUA.