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09 de fevereiro, 2008 - 19h58 GMT (17h58 Brasília)

Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil

Chávez diz que atua 'sem pressa' para libertar reféns

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou neste sábado que não há tempo estipulado para a libertação de mais três reféns que os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometeram liberar e que está trabalhando "sem pressa e sem pausa" para resgatá-los.

"Peço que tratem com calma e paciência este tema. Não há tempo estipulado, somente sabemos que as Farc decidiram libertar mais três pessoas e já sabemos seus nomes", disse Chávez a jornalistas no Estado de Barinas (oeste da Venezuela), pouco antes de se reunir com familiares dos reféns.

Há uma semana, por meio de um comunicado, as Farc anunciaram a libertação de Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán, ex-congressistas colombianos que fazem parte do grupo de 43 reféns que as Farc consideram passíveis de troca e que inclui a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt.

Chávez também disse que espera que as coordenadas do local em que serão libertados os três ex-congressistas seja a última informação que irá receber.

"Tenho esperanças que logo tenhamos estes novos três libertados (…) já fizemos contato com as Farc sobre este assunto e estamos contando com as Farc, digamos, (para que dêem) os primeiros passos neste caminho", disse.

Familiares

Durante a reunião com os familiares, o presidente venezuelano criticou os protestos realizados na semana passada contra as Farc em várias cidades do mundo e voltou a afirmar que a saída para o conflito colombiano, iniciado há mais de 50 anos, é política e não militar.

Leia também na BBC Brasil: Protestos reúnem milhares contra as Farc

"Atrás do lema ‘não mais Farc’ poderia estar se escondendo essa corrente que acredita (em uma saída militar). Eu já disse ao presidente da Colômbia (...), o governo não poderá acabar com as Farc, nem que venha o exército dos Estados Unidos", disse.

Juan Sebastian - filho de Gloria Polanco, seqüestrada em 2002, e que teve o pai assassinado em 2005 -, disse ter esperanças de que sua mãe seja libertada em breve.

"Estamos órfãos, mas se Deus quiser logo acabaremos esta angústia. O senhor presidente (Chávez) é a esperança de todos os seqüestrados", disse.

Se concretizado o resgate, este será o segundo grupo de reféns que a guerrilha decide libertar de maneira incondicional e unilateral.

No dia 10 de janeiro, as Farc libertaram a ex-candidata à vice-presidência do país Clara Rojas e a ex-congressista Consuelo González Perdomo.