07 de fevereiro, 2008 - 18h48 GMT (16h48 Brasília)
A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), órgão internacional que fiscaliza eleições, anunciou nesta quinta-feira que não vai enviar representantes para acompanhar as eleições presidenciais na Rússia por causa de restrições impostas pelo governo do país.
"Nós infelizmente não podemos aceitar o seu convite para enviar um número limitado de observadores à Rússia para a eleição presidencial", disse o presidente da Assembléia Parlamentar da OSCE, Goran Lennmarker, em uma carta ao Parlamento russo.
Lennmarker também mencionou "outras condições e circunstâncias", sem especificá-las, ao justificar a decisão.
A entidade formada por 56 países, incluindo a própria Rússia, já havia suspendido a sua participação nas eleições parlamentares de dezembro do ano passado, também com a alegação de interferência de Moscou.
A divisão da OSCE que monitora eleições (o ODIHR, Escritório para Instituições Democráticas e Direitos Humanos) e a comissão eleitoral russa vinham tendo divergências sobre o tamanho e a duração da missão de observadores para as eleições do dia 2 de março.
Os observadores geralmente chegam ao país em que vão monitorar as eleições dois meses antes do dia votação para que possam observar a inscrição dos candidatos, a campanha eleitoral, a cobertura da mídia e a votação em si.
No caso da Rússia, o governo queria que os observadores chegassem apenas três dias antes da votação, tempo que a ODIHR considerava insuficiente para avaliar a campanha e o acesso dos candidatos à mídia.
Contra-proposta
A fim de evitar um boicote, a Rússia apresentou uma contra-proposta, que previa inclusive a chegada dos observadores com uma semana de antecedência, mas a ODIHR rejeitou as concessões na quarta-feira.
A comissão eleitoral russa também havia aceitado aumentar o número de observadores de 70 para 75.
Um porta-voz do Ministério do Exterior, Mikhail Kamynin, descreveu a decisão da OSCE de "inaceitável".
O próprio chanceler russo, Sergei Lavrov, havia dito antes do anúncio da decisão que Moscou não aceitaria um "ultimato".
"Países que têm respeito por si mesmos não aceitam ultimatos", disse Lavrov.
O ministro de Putin também defendeu a reforma das regras da OSCE que, segundo ele, insistiu de forma "mal educada" em enviar observadores um mês antes das eleições.
A presidência da União Européia, atualmente desempenhada pela Eslovênia, manifestou apoio à decisão e disse lamentar que a equipe de observadores da OSCE tenha sido colocada "em uma situação em que considerou ser impossível executar o seu mandato".
As eleições parlamentares russas em dezembro foram criticadas pelos observadores que as acompanharam.