02 de fevereiro, 2008 - 03h30 GMT (01h30 Brasília)
A Polônia e os Estados Unidos chegaram nesta sexta-feira a um entendimento sobre a instalação de um polêmico sistema de defesa antimísseis americano em território polonês, apesar da forte oposição da Rússia.
A Polônia abrigaria mísseis antimísseis (ou interceptadores) americanos e, em troca, os Estados Unidos afirmaram que irão ajudar a melhorar o sistema de defesa aérea polonês.
O acordo final ainda não está fechado, e as negociações devem continuar. No entanto, o apoio americano na modernização do sistema de defesa aérea era uma das principais exigências da Polônia para abrigar o escudo antimísseis.
"Temos um acordo em princípio", disse, em Washington, o ministro do Exterior da Polônia, Radek Sikorsky. "Ainda há muito trabalho a ser feito por nossos especialistas... Mas, sim, eu estou satisfeito que os princípios que nós discutimos tenham sido aceitos."
"Nós entendemos que há um desejo de modernizar o sistema de defesa da Polônia, particularmente de modernizar as defesas aéreas. Isso é algo que nós apoiamos porque vai fazer nosso aliado, a Polônia, mais capaz", disse a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
Rússia
As preocupações da Polônia com a segurança se referem principalmente às ameaças da Rússia de apontar seus mísseis para a Europa caso os Estados Unidos coloquem partes de seu sistema de defesa antimísseis perto da fronteira russa.
A iniciativa dos Estados Unidos de construir instalações de defesa antimísseis no Leste Europeu vem provocando tensões no relacionamento do governo americano com a Rússia.
Os Estados Unidos querem construir um sistema que vai permitir a interceptação de mísseis balísticos. Este sistema envolve radares estacionários e mísseis antimísseis em lugares como o Alasca e a Califórnia. Na Polônia, o plano é instalar dez mísseis antimísseis.
Também está previsto um radar associado na República Checa. Em abril, o governo checo deverá submeter ao Parlamento um texto preliminar de acordo para a instalação do radar.
O presidente russo, Vladimir Putin, é contra os planos dos Estados Unidos e afirma que esse sistema ameaçaria os mísseis russos e iria desestabilizar a segurança global.
No entanto, o presidente americano, George W. Bush, já disse que a Rússia não teria nada a temer, porque os alvos do sistema de defesa americano seriam países hostis, como o Irã e a Coréia do Norte.
Em outubro, Putin chegou a dizer que os planos americanos poderiam levar a uma situação semelhante à Crise dos Mísseis de Cuba, na década de 60, que quase desencadeou um conflito nuclear entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética.