31 de janeiro, 2008 - 14h59 GMT (12h59 Brasília)
O relatório anual da organização internacional Human Rights Watch incluiu o tema dos 'desaparecidos' durante o regime militar brasileiro em seu relatório sobre violações de direitos humanos divulgado nesta quinta-feira.
A organização responsabiliza as Forças Armadas brasileiras pela falta de informações sobre o paradeiro de pessoas que 'desapareceram' porque criticavam o regime militar (1964-1985).
O tema, que não constava de relatórios anteriores da Human Rights Watch, entrou em debate no Brasil em agosto do ano passado, quando a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República publicou o documento Direito à Memória e à Verdade, contando casos de abusos.
A publicação gerou atritos entre as esferas civil e militar do Estado.
"(A investigação) não foi capaz de esclarecer importantes aspectos desses crimes, incluindo o paradeiro da maioria dos 'desaparecidos', porque as Forças Armadas brasileiras nunca abriram arquivos importantes dos anos do regime militar", afirmou o relatório.
"Em setembro de 2007, o Superior Tribunal de Justiça ordenou às Forças Armadas que abram arquivos secretos e revelem o que houve com os corpos de brasileiros que morreram quando o governo mandou tropas para combater a guerrilha do Araguaia em 1971."
Como em anos anteriores, a ONG voltou a criticar a violência policial e a impunidade no Brasil.
"Apesar de o governo brasileiro ter feito esforços para tratar dos abusos de direitos humanos, raramente aponta os responsáveis", afirma o relatório.