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25 de janeiro, 2008 - 18h47 GMT (16h47 Brasília)

Tamanho da fraude no Société Générale chocou operador que quebrou banco inglês

O ex-operador de mercado inglês Nick Leeson, que em 1995 foi o responsável pela fraude que levou à queda do banco Barings, disse que ficou surpreso com o volume de dinheiro movimentado na fraude que atingiu o banco Société Générale, o segundo maior da França.

Apesar disso, Leeson – cuja história foi contada no filme A Fraude, de 1999, estrelado por Ewan McGregor - disse que não se surpreendeu com o fato, em si, da fraude ter ocorrido.

“A primeira coisa que veio à minha mente não foi necessariamente o choque de que isso poderia ocorrer de novo – acho que as operações desonestas são, provavelmente, ocorrências diárias nos mercados financeiros. O que realmente me chocou foi o tamanho (da fraude)”, disse Leeson à BBC.

Na quinta-feira, o Société Générale anunciou ter perdido US$ 7 bilhões por causa de fraudes cometidas por um único operador. O banco ainda não divulgou seu nome, mas a imprensa francesa o identificou como Jerome Kerviel, de 31 anos.

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Essa é uma das maiores fraudes de todos os tempos já cometidas por um único operador contra um banco. O Société Générale já abriu uma queixa formal contra o operador, que foi suspenso das atividades e estaria desaparecido.

Buracos

Para Leeson, as fraudes ainda são possíveis porque os bancos não taparam os “buracos” nos sistemas de segurança.

Leeson foi gerente de operações de mercados futuros no banco Barings em Cingapura, e em 1995 causou prejuízos de quase US$ 1,4 bilhão com operações nos mercados asiáticos, acabando com as reservas do banco e provocando sua quebra.

“O que eu queria, e tenho certeza de que é o que este rapaz queria também, era o sucesso. Sucesso foi o que o levou a fazer isso”, disse Leeson, que cumpriu pena de quatro anos pela fraude em Cingapura.

“O maior medo dele era o de fracasso. (…) Ele sobreviveu um dia, uma semana, um mês. Finalmente, você começa a acreditar que talvez não seja tão ruim assim.”

“Há um grau de compulsão também – ele acredita que está certo, e que no final a posição vai se inverter. E infelizmente isso não ocorreu.”

Atualmente, Leeson é o presidente de um clube de futebol irlandês.

Nesta sexta-feira, o Société Générale publicou um anúncio de página inteira nos principais jornais franceses, pedindo desculpas aos acionistas.

“Eu entendo sua decepção, sua raiva. A situação é perfeitamente inaceitável”, escreveu o presidente do banco, Daniel Bouton.