24 de janeiro, 2008 - 15h47 GMT (13h47 Brasília)
Jonathan Marcus
Do Serviço Mundial da BBC em Londres
A passagem de dezenas de milhares de palestinos para o Egito no posto de fronteira de Rafah ilustra muitos dos problemas e armadilhas no processo de paz do Oriente Médio.
No passado recente, a esperança era de que Rafah se tornaria o símbolo de um novo começo para a Faixa de Gaza.
O que começou como um posto de fronteira monitorado por enviados europeus, com aspirações de se tornar uma ligação permanentemente aberta entre a Faixa de Gaza e o Egito, se tornou na prática mais um símbolo de isolamento e "aprisionamento" para muitos palestinos.
O posto de Rafah está localizado nos limites da poeirenta cidade de mesmo nome, na fronteira sudoeste da Faixa de Gaza. Fica na fronteira entre o território palestino e o egípcio.
Suas operações são administradas por um acordo fechado entre Israel e a Autoridade Palestina em novembro de 2005, por ocasião da retirada das tropas isralenses do território.
O funcionamento era para ser monitorado por uma missão de assistência da União Européia. Mas isso é tudo, em vários aspectos, teórico, já que o posto de Rafah está fechado desde que o Hamas assumiu o controle do território em junho do ano passado.
O envolvimento da União Européia foi crítico para garantir que o acordo de medidas de segurança fechado por israelenses e palestinos no posto fosse implementado em sua totalidade.
Inicialmente, o posto permaneceria aberto cinco horas por dia, na esperança de que eventualmente se tornasse uma operação de 24 horas por dia.
Espera
Em junho de 2006, a passagem foi fechada quando tropas israelenses realizaram sua primeira grande operação em Gaza desde a retirada – uma resposta, dizem os israelenses, à captura de um soldado israelense por militantes palestinos e aos ataques com foguetes direcionados ao sul de Israel. A passagem ficou fechada por cerca de dois meses.
O posto permaneceu fechado na maior parte do tempo desde que o Hamas assumiu o poder.
Inicialmente, monitores europeus procuraram segurança quando aumentou a briga interna entre os palestinos. Mas eles nunca voltaram aos seus postos.
A passagem de Rafah permanece um portão fechado para as aspirações palestinas. Seu futuro depende de política – entre Israel e palestinos, entre facções palestinas e entre Egito e Israel.
Para Israel, os postos de passagem são vistos quase que exclusivamente sob o prisma de segurança – como um meio de exercer pressão sobre a liderança do Hamas (mas não está claro como a mecânica dessa pressão funciona na prática).
Críticos insistem que a única conseqüência do crescente isolamento da Faixa de Gaza é a criação do sofrimento coletivo e uma panela de pressão de descontentamento que, um dia, poderá explodir.
E é por causa disso que os egípcios estão tão nervosos. Cairo tem suas próprias razões para monitorar e controlar o acesso de entrada e saída da Faixa de Gaza.
Cairo enfrenta o dilema de manter uma relação com Israel, aliviando o sofrimento e o isolamento no território, enquanto teme que a influência ideológica do Hamas se espalhe por movimentos próximos dentro do próprio Egito.