23 de janeiro, 2008 - 20h22 GMT (18h22 Brasília)
O porta-voz do Ministério do Exterior do Egito disse à BBC nesta quarta-feira que as forças de segurança do país não vão usar a força para fazer com que milhares de palestinos voltem para a Faixa de Gaza, depois de terem atravessado a fronteira.
Os palestinos deixaram o sul do território nesta quarta-feira através de buracos que militantes abriram com explosivos no muro que delimita a fronteira com o Egito. Testemunhas disseram que guardas egípcios assistiram a tudo sem intervir.
Segundo o porta-voz, Hosan Zeni, o Egito compreende o sofrimento dos palestinos e acredita que os moradores de Gaza foram para o país para comprar gêneros de primeira necessidade, como comida e remédios.
Zeni disse que a fronteira voltará a ser fechada quando todos os palestinos voltarem para casa.
Antes, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, disse que havia determinado que os palestinos não fossem impedidos de cruzar a fronteira porque estavam com fome.
Armas
Não se sabe ao certo quantos dos palestinos que atravessaram a fronteira nesta quarta-feira permanecem no Egito.
Produtos essenciais, como alimentos e combustível, se tornaram escassos em Gaza depois que Israel fechou as fronteiras do território, na semana passada, com o objetivo de acabar com os ataques com foguetes lançados do território palestino.
O grupo militante Hamas, que controla Gaza desde junho, já havia pedido ao Egito para abrir a fronteira.
O governo de Israel expressou preocupação com os eventos na fronteira e pediu ao Egito que restabeleça a segurança.
Analistas afirmam que a explosão da cerca é uma questão importante para Israel, já que a fronteira com o Egito é a principal rota de entrada de armas usadas pelos grupos militantes em Gaza.
Bloqueio
Nos últimos meses, a fronteira tem permanecido fechada pela maior parte do tempo, em um acordo entre Israel e Egito.
"Estamos indo visitar nossa família", disse à BBC uma mulher de Gaza que cruzava a fronteira com o Egito. "Eles estão todos lá. Não os vejo há dez anos."
No início da semana, grupos militantes islâmicos ameaçaram explodir a cerca. Na terça-feira, Israel aliviou o bloqueio temporariamente, permitindo que fossem levados remédios e combustível para Gaza.
Em 2005, militantes do Hamas abriram buracos na cerca com o Egito depois da retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza.
A passagem de milhares de palestinos para o Egito, nesta quarta-feira, ocorre um dia depois de a polícia egípcia ter impedido um protesto de mulheres em Rafah.
Embate
Na terça-feira, enviados palestinos e israelenses se enfrentaram durante um debate sobre o bloqueio israelense no Conselho de Segurança da ONU.
O observador palestino acusou Israel de insuflar a violência, enquanto o enviado israelense respondeu que seu país tinha que proteger seu povo dos ataques com foguetes.
O Conselho analisava um pedido de líderes árabes e islâmicos para permitir a livre entrada de ajuda humanitária para Gaza, em meio ao crescente descontentamento internacional com o que a União Européia chamou de "punição coletiva" aos 1,5 milhão de moradores do território.
No entanto, o representante israelense Gilad Cohen negou que Israel estivesse violando as leis internacionais.
"É dever de todos os Estados garantir o direito à vida e segurança de seu povo, especialmente contra atos cruéis de violência e terrorismo", disse Cohen, acrescentando que Israel iria "garantir o bem-estar humanitário" em Gaza.