21 de janeiro, 2008 - 13h05 GMT (11h05 Brasília)
Autoridades da Liga Árabe estão reunidas no Egito nesta segunda-feira para discutir o fechamento das fronteiras da Faixa de Gaza e a falta de eletricidade que atinge a região palestina.
Neste domingo, boa parte da cidade de Gaza ficou às escuras, depois que as autoridades palestinas fecharam a principal usina de eletricidade da cidade, alegando não ter mais combustível para fazê-la funcionar por causa do bloqueio israelense.
Na semana passada, Israel fechou as fronteiras com a Faixa de Gaza, controlada pelo grupo militante Hamas desde junho do ano passado, e bloqueou a entrada de combustíveis e outros produtos.
A decisão foi tomada em represália ao lançamento de mísseis a partir do território palestino.
Catástrofe
Líderes da Liga Árabe descreveram a situação na região de “catastrófica” e estão realizando um encontro de emergência para tentar a reabertura da passagem entre Gaza e o Egito, passando pela cidade de Rafah.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, faz um apelo ao governo israelense nesta segunda-feira para que suspenda “o bloqueio a Gaza imediatamente para permitir a entrada de combustíveis e facilitar a vida de pessoas inocentes”.
Abbas ainda ameaçou levar a questão ao Conselho de Segurança da ONU se Israel não responder a seu apelo.
O governo israelense, no entanto, alega que continua fornecendo 60% da eletricidade de Gaza e insiste que a região tem estoque suficiente de combustível.
“Se eles fecharam a usina de eletricidade não foi por falta de combustível, mas porque querem criar a impressão de que estão em crise”, disse Shlomo Dror, porta-voz do ministério da Defesa.
Frio
O ministério das Relações Exteriores de Israel acusou o Hamas de ter fechado a usina como um “truque” para “atrair a simpatia internacional”.
No entanto, agências humanitárias que atuam na região afirmam que 1,5 milhão de pessoas estão enfrentando graves dificuldades e que hospitais sem aquecimento estão usando geradores para continuar funcionando.
“Os hospitais estão operando com geradores, o que significa que os equipamentos médicos essenciais estão funcionando. Mas
como não há aquecimento, faz muito frio durante a noite”, disse à BBC John Ging, coordenador da agência da ONU que cuida
de refugiados palestinos em Gaza.