20 de janeiro, 2008 - 13h57 GMT (11h57 Brasília)
David Willey
De Roma para a BBC
O papa Bento 16 foi aplaudido por cerca de cem mil fiéis que foram assistir à benção deste domingo na Praça de São Pedro, no Vaticano, quando disse que intelectuais de universidades precisam ter mais respeito pelas opiniões dos outros.
A afirmação do sumo-pontífice católico é uma referência direta ao cancelamento de uma visita à Universidade La Sapienza, em Roma, depois que estudantes e acadêmicos protestaram contra a opinião dele sobre a condenação de Galileu Galilei.
Muitos estudantes e professores universitários engrossavam a multidão que atendeu ao apelo do Vaticano para manifestar apoio à Igreja, diante da polêmica sobre Galileu.
O religioso foi muito aplaudido quando apareceu na janela do seu escritório e parecia visivelmente satisfeito com o enorme comparecimento de fiéis.
O manifesto de um pequeno grupo de estudantes e professores da Universidade La Sapienza foi contra um discurso feito anos antes de Bento 16 ser eleito líder da Igreja.
Ex-professor
Bento 16, que também já deu aulas em universidades, disse que, da mesma forma que o mundo acadêmico, a Igreja Católica também busca a verdade e o diálogo franco, sempre respeitando as posições dos outros.
O papa então fez um apelo para que os representantes de universidades sigam esse exemplo.
A decisão do papa Bento 16 de não ir mais a La Sapienza conseguiu o milagre de unir o centro do governo e a oposição italianos. Ambas as forças políticas, através de suas lideranças, condenaram os ataques ao Sumo Pontífice.
"Condeno quem provocou tensões", disse o primeiro-ministro Romano Prodi, pedindo que Bento 16 reveja a decisão de não aceitar o convite. "É inadmissível que o papa não possa falar numa universidade que é a sede do diálogo e da abertura", disse ele na televisão italiana.
"É uma ferida que humilha a universidade e a Itália", declarou o líder da oposição, Silvio Berlusconi.