18 de janeiro, 2008 - 13h43 GMT (11h43 Brasília)
Um grupo de médicos de um hospital em Essex, no leste da Inglaterra, negou, na quarta-feira, o pedido da mãe de uma adolescente britânica que sofre de paralisia cerebral para retirar o útero da filha (histerectomia).
Alison Thorpe diz que a filha Katie, de 15 anos, sofrerá com os sintomas da menstruação, como alterações de humor e cólicas e ficará confusa com os sangramentos mensais, quando eles começarem.
Mas a equipe do Mid Essex Hospital NHS Trust concluiu que só poderá avaliar se há motivo clínico para a cirurgia de remoção do útero quando Katie começar a menstruar.
Se fosse aprovada, esta seria a primeira histerectomia realizada na Grã-Bretanha sem razões médicas.
"Antes de decidirmos sobre qualquer procedimento cirúrgico, analisamos cada paciente e cada caso individualmente", disse um porta-voz do hospital.
"Isso também se aplica no caso de Katie Thorpe e conversamos com a família dela sobre nossa decisão".
Apoio
Alison Thorpe não concorda com a decisão dos médicos. Ela disse à BBC que recebeu "forte apoio" de pessoas deficientes e famílias de crianças que sofrem de deficiência sobre o pedido.
"Nós demonstramos que existe uma necessidade real de Katie não passar por este mal desnecessário", disse a mãe.
"As pessoas que não conhecem a Katie e não entendem a situação foram influenciadas por uma minoria de organizações que trabalham com os direitos dos deficientes", afirmou Thorpe à BBC.
A afirmação está relacionada com a resposta de algumas ONGs sobre o pedido, como a Scope, que trabalha com deficientes. A organização acredita que a cirurgia teria "implicações perturbadoras" para outras pessoas na mesma situação e pode não ser a melhor opção para a menina.
“É muito difícil saber se este tipo de operação invasiva, que não tem urgência médica e será dolorosa e traumática, será do interesse de Katie", questiona Rickell.
Quando fez o pedido aos médicos, em outubro, Alison ressaltou que não estava "advogando em prol de uma política que seja aplicada para todos os deficientes."
"Eu entendo que isto não é para todos e não estou dizendo que deveria ser", disse na ocasião.