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13 de janeiro, 2008 - 10h56 GMT (08h56 Brasília)

Simulação de afogamento 'seria tortura'

O diretor nacional de Inteligência dos Estados Unidos, Michael McConnell, disse que a técnica de interrogatório que simula o afogamento “seria tortura”, se ele próprio fosse submetido a ela.

McConnel disse que a técnica também seria tortura se resultasse na entrada de água nos pulmões do interrogado.

Em entrevista à revista New Yorker ele afirmou que, caso a prática seja classificada oficialmente como tortura, haverá uma “penalidade enorme” para quem a cometer.

Na polêmica técnica, o prisioneiro é deitado e um pano é colocado em sua boca ou um pedaço de plástico colocado sobre seu rosto. Os interrogadores jogam então água sobre o rosto do prisioneiro.

“Se eu tivesse água entrando em meu nariz, meu Deus, eu não consigo imaginar a dor”, disse McConnel.

Dor

Segundo o diretor, o teste legal para determinar se uma prática constitui tortura deveria ser “bem simples”.

“É doloroso ao ponto de forçar alguém a dizer algo por causa da dor?”, disse.

Mas ele se recusou, por razões legais, a dizer se o governo americano deveria classificar a prática como tortura.

Comitês de inteligência do Congresso, que querem proibir a prática, estão investigando a destruição de fitas de vídeo pela CIA (o serviço de inteligência americano). Acredita-se que essas fitas mostravam agentes usando o afogamento simulado em suspeitos de terrorismo.

Em dezembro, a Câmara dos Representantes aprovou uma lei que iria banir a CIA de usar métodos de interrogatório cruéis, como a simulação de afogamento.

O presidente George W. Bush ameaçou vetar a lei, que forçaria o serviço de inteligência a respeitar as regras que já são adotadas pelo Exército e a seguir as Convenções de Genebra.

O procurador-geral Michael Mukasey se recusou a dizer se o método é tortura.

Mas, durante sua posse no Senado, ele afirmou que o afogamento simulado é “repugnante” e que iria revisar a questão.

A CIA não usa a técnica desde 2003, Há relatos de que a agência teria usado a técnica em três prisioneiros entre 2001 e 2003, incluindo o recrutador da al-Qaeda Abu Zubaydah.