11 de janeiro, 2008 - 17h26 GMT (15h26 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) disseram nesta sexta-feira por meio de um comunicado que a libertação das reféns Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, na quinta-feira, foi um primeiro passo rumo à paz na Colômbia.
"Demos este primeiro passo de esperança que convida a pensar na possibilidade da paz na Colômbia", diz o documento assinado pelo secretariado das Farc, publicado pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP).
No comunicado, as Farc voltaram a exigir que o governo da Colômbia crie uma zona desmilitarizada de 780 km² para que a guerrilha e representantes do governo se reúnam para negociar um acordo que prevê a libertação de 44 reféns em troca da libertação de 500 guerrilheiros presos.
"Os esforços devem se dirigir agora para alcançar a retirada militar (…) como cenário do diálogo Governo-Farc para o acordo e a materialização da troca (de reféns) que faça possível a libertação de todos os prisioneiros em poder das forças", diz o texto.
Uribe
A retirada militar é um dos entraves ao acordo. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, se opõe à exigência das Farc.
Imediatamente após a libertação de Clara e Consuelo, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, afirmou que o êxito da operação era uma prova de que não há necessidade de uma retirada militar para a libertação de novos reféns.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pediu à guerrilha que considere uma negociação "direta, ágil e de boa fé" para que mais de 700 pessoas que ainda estão seqüestradas também ganhem a liberdade.
Em um pronunciamento na noite desta quinta-feira, Uribe reiterou que não retrocederá no seu plano de Segurança Patriótica, que conta com a ajuda financeira dos Estados Unidos, para combater guerrilhas e grupos narcotraficantes.
As Farc são consideradas pelos governos da Colômbia, Estados Unidos e parte da União Européia como "grupos terroristas". No comunicado, a guerrilha afirma que pretende ser vista de forma diferente.
"Na realidade, somos uma força beligerante à espera de ser reconhecida pelos governo do mundo. Este passo abriria o tortuoso caminho do povo da Colômbia em busca de paz", afirma a guerrilha.
Libertadas após seis anos de cativeiro, Clara e Consuelo foram levadas à Venezuela, onde foram recebidas por seus familiares e pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez - para quem a guerrilha prometeu entregar as duas mulheres.
A ex-congressista Consuelo González pediu à Chávez por telefone que o presidente trabalhasse a favor da libertação dos outros reféns que estão mantidos em cativeiro.
"Por favor, presidente, não podemos baixar a guarda (...) os que ficaram mandaram lhe dizer isso, temos que continuar trabalhando",
disse Consuelo.