11 de janeiro, 2008 - 01h00 GMT (23h00 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil
A colombiana Clara Rojas, ex-assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, libertada nesta quinta-feira depois de seis anos nas mãos do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse que quer recuperar seu filho Emmanuel imediatamente.
"Queria trazer o Emmanuel já”, disse em entrevista à rádio Caracol.
Clara se disse surpreendida com a notícia de que o menino estava internado em um orfanato na capital colombiana, Bogotá, e não em poder do grupo guerrilheiro.
"A primeira surpreendida fui eu. Me disseram que não me preocupasse com o menino. Escrevi ao (chefe máximo das FARC, Manuel) Marulanda (…) e ao Comitê da Cruz Vermelha para que o menino fosse entregue à minha mãe (...) eu estive sempre muito preocupada em saber onde estava o menino", disse Rojas.
Emmanuel, nascido em cativeiro, é fruto de uma relação de Clara Rojas com um guerrilheiro.
Ela confirmou que teve um parto difícil e que teve que ser submetida a uma cesariana no meio da selva colombiana.
"No momento do parto foi difícil. Não dilatei. Me fizeram a cesariana e estive 40 dias em recuperação, sem me mexer, sem poder levantar da cama”, contou Clara Rojas, ao afirmar que o bracinho de Emmanuel foi quebrado no momento do parto.
Emmanuel está sob custódia do governo da Colômbia e está aos cuidados de uma "mãe substituta" do Instituto do Bem-Estar Familiar, em Bogotá.
O menino teria sido levado para um orfanato depois que uma família de camponeses para quem as Farc haviam entregado a criança teve de levá-lo ao hospital.
Os médicos disseram que o menino sofria de desnutrição e outras doenças e decidiram chamaram a assistência social do orfanato, que acabou levando Emmanuel.
O governo colombiano afirmou que nos próximos dias a familia Rojas poderia receber a guarda provisória da criança, antes do fim do processo que deve ser tramitado na Justiça colombiana.
Juntamente com Consuelo González de Perdomo, uma outra refém, Clara Rojas foi levada para a Venezuela, onde encontrou familiares e se reuniu com o presidente Hugo Chávez, que mediou sua libertação.