09 de janeiro, 2008 - 22h13 GMT (20h13 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil
Diferentes bairros da cidade de Buenos Aires e localidades na Província de Buenos Aires têm sofrido cortes de luz de até oito horas de duração nos últimos dias.
Segundo representantes das duas maiores empresas de energia do país, a Edenor e a Edesur, os apagões se tornaram mais freqüentes a partir do Ano Novo, com o aumento da temperatura e do consumo de ar condicionado e ventiladores.
Ainda não existem números exatos sobre o total de consumidores atingidos, podendo variar entre 50 moradores e três mil, como ocorreu na terça-feira.
A escassez de energia vem ocorrendo na Argentina desde o último inverno, quando as baixas temperaturas, juntamente com o crescimento econômico, aumentaram o consumo e deixaram evidente os efeitos da falta de investimentos no setor.
Há pelo menos dois anos especialistas vinham alertando para a possibilidade de problemas.
Milhares de atingidos
Nesta quarta-feira, a presidente argentina, Cristina Kirchner, reconheceu que na terça-feira “ocorreram 50 mil cortes simultâneos de energia no horário de maior consumo (por volta das 21h)".
Segundo a presidente, esses cortes ocorreram em uma região onde vivem cinco milhões de consumidores. Ela atribuiu o transtorno ao aumento da temperatura.
"Essa situação requer maior responsabilidade das empresas e do Estado", afirmou.
O ex-secretário de Energia e analista energético, Daniel Montamat, disse que a crise só será revertida quando o governo voltar a atrair investimentos para o setor.
As tarifas do setor público privatizado - energia, água e outros - estão congeladas na Argentina desde 2001.
"O cobertor está curto. A oferta de energia não alcança para a demanda nacional", disse Montamat.
Prioridade às residências
Nesta semana, de acordo com a imprensa argentina, o governo se reuniu com representantes das geradoras e distribuidoras do setor para analisar a situação e teria determinado maior atenção para as regiões residenciais do que para as empresas.
A medida também foi adotada durante o inverno, com a oferta de energia insuficiente para atender o aumento do uso de aquecedores elétricos.
Desta vez, o governo voltou a "exigir " que as empresas reduzam o consumo de eletricidade para não serem obrigadas a cumprir racionamento.
Na terça-feira, o governo argentino importou 300 megawatts de energia do Brasil - primeiro pedido de socorro neste verão. O Brasil já tinha ajudado o País no último inverno.
No dia 21 de dezembro, o governo de Cristina Kirchner anunciou as primeiras medidas de um plano energético que incluiu a implementação, a partir do dia 30 passado e até março, do horário de verão, com o adiantamento dos relógios em uma hora.