08 de janeiro, 2008 - 20h06 GMT (18h06 Brasília)
O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, anunciou parte dos ministros de seu novo gabinete de governo, nove dias depois da eleição que gerou uma grave crise política e uma onda de violência no país.
Kibaki fez o anúncio de parte de seu gabinete em discurso curto transmitido em rede nacional.
Durante o discurso, segundo o correspondente da BBC em Nairóbi Mike Wooldridge, Kibaki disse que pensou na importância de manter o país unido com uma liderança forte e ampla e que, por esta razão, estava anunciando apenas metade dos ministros, nenhum deles do principal partido de oposição.
Wooldridge afirma que, com isso, pode-se presumir que os outros ministros poderão ser indicados depois das negociações com a oposição que serão mediadas pelo atual presidente da União Africana, o presidente de Gana, John Kufuor, que chegou nesta terça-feira à Nairóbi.
O líder de oposição Raila Odinga afirmou que estas indicações de Kibaki seriam "uma piada".
William Ruto, aliado de Odinga, afirmou que a oposição não vai reconhecer o novo gabinete.
"O gabinete (de governo) é nulo e não tem validade legal, pois o presidente Kibaki não venceu a eleição e nós não vamos reconhecer", disse Ruto à BBC.
Logo após o anúncio dos novos ministros ocorreram relatos de tumulto na cidade de Odinga, Kisumu. A polícia teria dado tiros ao alto em meio à multidão que estava nas ruas.
Acusações
Entre os novos ministros está Kalonzo Musyoka, que ficou em terceiro nas eleições presidenciais, atrás de Mwai Kibaki e do líder da oposição Raila Odinga. Musyoka ocupará o cargo de vice-presidente e ministro do Interior.
Além do cargo de Musyoka, outros ministérios importantes também já foram preenchidos como Defesa, Segurança Interna e Exterior.
Cerca de 600 pessoas morreram em uma série de protestos e confrontos violentos no país, que eclodiram logo depois do anúncio dos resultados das eleições presidente de 27 de dezembro.
A oposição acusa o presidente reeleito Mwai Kibaki de ter fraudado as eleições e defende a realização de uma nova votação.
Unidade nacional
No fim de semana, Odinga rejeitou uma proposta de Kibaki para a formação de um governo de coalizão nacional.
O líder da oposição disse que um governo de unidade nacional seria "enganar os quenianos, afastando-os seus direitos".
"Nós sabemos como o governo de unidade nacional funciona", disse. "Nós estivemos nessa antes com Kibaki."
O governo anunciou ter enviado soldados para desbloquear estradas em várias regiões do país a fim de facilitar o envio de ajuda a milhares de desabrigados.
De acordo com autoridades da ONU, mais de 250 mil pessoas já teriam deixado suas casas para fugir da violência.