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08 de janeiro, 2008 - 02h57 GMT (00h57 Brasília)

Marcia Carmo
de Buenos Aires

Morales pede acordo nacional em reunião com governadores

Os governadores bolivianos que se opõem ao presidente Evo Morales pediram na noite desta segunda-feira que ele faça uma "revisão" das suas últimas medidas, como a nova Constituição do país e a redistribuição dos recursos gerados pelo Imposto Direto de Hidrocarbonetos (IDH).

Morales, por sua vez, solicitou um "acordo nacional", onde se destaque o fim do racismo no país. A conversa pode simbolizar uma trégua – mesmo que temporária – entre Morales e os governadores, principalmente os dos Estados mais ricos da Bolívia.

Nesta segunda-feira, Morales e os nove governadores da Bolívia tiveram a primeira reunião, após o enfrentamento público que viveram, no fim do ano passado.

Na ocasião, os governadores dos Estados mais produtivos (como Santa Cruz de la Sierra e Tarija) lideraram protestos contra a nova Constituição nacional e lançaram proposta de Carta Magna alternativa à do governo central.

Há cerca de 20 dias, enquanto Morales comemorava, em La Paz, junto às comunidades indígenas e estudantes, a promulgação da nova Constituição, moradores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija realizavam festa nas ruas para marcar o lançamento do texto próprio que seria enviado ao Congresso Nacional.

A disputa levou Morales a convocar um referendo, sem data certa, para saber se a população ratifica ou não sua permanência e a dos governadores.

"Trégua"

Para analistas bolivianos, a reunião desta segunda-feira pode simbolizar uma "trégua" e a reabertura do diálogo, mas não se sabe como a tentativa de entendimento terminará. A nova divisão da Bolívia – tradicionalmente fragmentada política e socialmente – levou, na semana passada, diferentes entidades a assinarem um documento pedindo o entendimento entre as duas partes.

Entre os que assinaram o documento destacavam-se a Assembléia Permanente de Direitos Humanos e a Confederação dos Trabalhadores da Imprensa, entre outros.

Na carta, eles pediam que os dois lados "flexibilizem" suas posições para "criar um clima favorável" que permita o sucesso do encontro. Nesta mesma linha, o novo comandante das Forças Armadas, general Luís Trigo Antelo, pediu ao presidente para "ceder em alguns temas" no encontro desta segunda-feira.

"O presidente nos pediu recomendações e com humildade lhe pedimos que participe deste diálogo e que se trate de sair de forma amigável deste conflito, escutando os governadores, negociando e cedendo em alguns temas", disse o militar, segundo a imprensa boliviana.

Os argumentos dos que apóiam esse entendimento são os de que a economia da Bolívia está crescendo como nunca nos últimos 20 anos – apesar do fantasma da inflação - e que é hora de aproveitar a bonança para uma harmonia política.

"Conciliadores"

Na reunião desta segunda-feira, de acordo com a Agência Boliviana de Informação (ABI, agência oficial), os governadores da oposição foram mais conciliadores que nas semanas anteriores.

Os governadores de Santa Cruz de la Sierra, Rubén Costas; de Cochabamba, Manfred Reys Villa; de Pando, Leopoldo Fernández; de Tarija, Mario Cossío; e de Beni, Ernesto Suárez, afirmaram que o corte determinado por Morales nos recursos do chamado IDH para pagamento de benefício a pessoas com mais de 60 anos prejudicará os projetos sociais de seus estados.

"No entanto, os governadores reconheceram que a mesa de diálogo (instalada nesta segunda-feira) é o cenário para se analisar todas as possibilidades para uma saída dos problemas conjunturais do país", escreveu a ABI.

Até o fim da noite de segunda-feira, a reunião ainda não tinha terminado.