http://www.bbcbrasil.com

02 de janeiro, 2008 - 17h28 GMT (15h28 Brasília)

Líder do Paquistão cria comissão para investigar violência

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, anunciou nesta quarta-feira a criação de uma comissão para investigar e identificar os responsáveis pela violência que tomou conta do país após a morte da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, na quinta-feira passada.

No seu pronunciamento, Musharraf enfatizou que grupos ou indivíduos armados causando problemas não serão tolerados e que o momento era de reconciliação, não de confrontação.

O presidente disse também que a Grã-Bretanha deve ajudar na investigação sobre a morte da ex-premiê.

Segundo ele, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, concordou em enviar uma equipe de detetives para auxiliar na apuração do caso.

Legado

O presidente paquistanês disse que "terroristas" estão por trás do assassinato de Bhutto e que a morte da ex-premiê representa "uma grande tragédia" para o país.

No pronunciamento, Musharraf também defendeu a decisão da Comissão Eleitoral de adiar as eleições da semana que vem para o dia 18 de fevereiro.

"Comitês eleitorais foram destruídos, zonas eleitorais e equipamentos foram danificados. Infelizmente os órgãos envolvidos estavam enfrentando dificuldades para manter o pleito", disse o presidente.

Leia também: Eleições no Paquistão são adiadas para fevereiro

Logo após o discurso de Musharraf, Asif Ali Zardari, viúvo de Bhutto e um dos líderes do Partido do Povo do Paquistão (PPP), disse que notícia do envolvimento britânico na investigação da morte de sua mulher era bem-vinda, mas voltou a defender uma investigação independente, comandada pela ONU.

Zardari confirmou que o PPP vai participar das eleições no mês que vem.

"Este é o legado de nosso líder Zulfiqar Ali Bhutto (fundador do partido e pai de Benazir) de participar das eleições, não importam as circunstâncias", disse.

Os principais partidos de oposição confirmaram que vão participar do pleito no dia 18 de fevereiro, apesar de terem pedido que a votação fosse mantida na semana que vem.

Eles alegam que o adiamento das eleições favorecerá o partido do governo.