31 de dezembro, 2007 - 21h17 GMT (19h17 Brasília)
Cláudia Jardim
De Caracas
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmaram nesta segunda-feira que operações realizadas pelo Exército colombiano impedem a entrega dos três reféns que o grupo prometeu libertar.
“As intensas operações realizadas na zona (em que os reféns seriam entregues) nos impedem entregar, como era nosso desejo, os reféns. Insistir seria arriscar a vida das pessoas e dos guerrilheiros”, disse o grupo em um comunicado enviado ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que leu o documento, por telefone, no canal de televisão estatal.
Segundo as Farc, depois que provas de vida de alguns reféns em poder do grupo, entre eles a ex-senadora Ingrid Betancourt, que seriam entregues a Chávez (na época mediador na busca por um acordo entre as Farc e o governo da Colômbia para a troca de reféns por prisioneiros) foram encontradas pela polícia colombiana, as operações militares se intensificaram.
"Assim que encontrarmos um local seguro lhe comunicaremos, para garantir o retorno, sãos e salvos, de Clara, Emmanuel e Consuelo”, afirma a nota dirigida a Chávez.
Os reféns que devem ser libertados são a ex-assessora de campanha de Betancourt, Clara Rojas, seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, e a ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo.
As Farc prometeram libertar esses três reféns como "um ato de desagravo" a Chávez, que no fim de novembro foi afastado pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, da mediação com o grupo rebelde.
A entrega é aguardada desde sexta-feira e já foi adiada três vezes.
Há alguns dias, o governo venezuelano e o representante brasileiro na delegação internacional que acompanha a operação de resgate, o assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, vinham anunciando que a impossibilidade de um cessar-fogo na região em que os reféns seriam libertados poderia dificultar a movimentação da guerrilha.
Chávez disse que não abortará a operação. Afirmou ainda que, caso não seja possível resgatar os reféns nos próximos três dias, terá de colocar em prática outros métodos.
“Não se vai abortar (a operação). O que se poderia mudar é a modalidade, que poderia se transformar em opções clandestinas. Eu não queria, porque seria uma opção arriscada”, disse Chávez.
A cidade colombiana de Villavicencio – ponto de partida da operação de resgate - e seus arredores são um dos principais focos do plano de Segurança Patriótica, com o qual o presidente Uribe pretende eliminar a ação de grupos guerrilheiros.
Estima-se que cerca de 20 mil soldados do Exército colombiano estejam atuando na região onde os reféns serão libertados.